BRASIL
VITÓRIA
Regulamentação
da EC 29 é
aprovada no Senado
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A regulamentação da Emenda
Constitucional 29 (EC 29), que organiza o repasse de verbas
para a saúde e tem sido uma das principais causas
defendidas pela ABO, está mais próxima de
se tornar realidade. Depois de insistentes apelos e campanhas
de parlamentares e entidades da saúde, o Senado
aprovou, no dia 9 de abril, por unanimidade, o substitutivo
do senador Augusto Botelho (PT-RR) ao PLS 121/2003, de
autoria do senador Tião Viana (PT-AC), que minimiza
os desvios de recursos e garante mais dinheiro para o Sistema Único
de Saúde (SUS).
Foram cinco anos de espera pela aprovação da matéria, que,
agora, precisa ser votada na Câmara. Para o presidente nacional da ABO,
Norberto Francisco Lubiana, trata-se de “uma vitória da mobilização
da sociedade em defesa da saúde pública brasileira”. A ABO
participou, ao longo dos últimos anos, de diversas ações
pela urgente regulamentação da EC 29. Nos últimos meses,
vinha solicitando, através de seus veículos de comunicação,
ação conjunta dos mais de 216 mil cirurgiões-dentistas que
representa para aumentar a pressão sobre os parlamentares. “Essa
pressão deve continuar agora que dependemos da aprovação
da Câmara para aprovar, definitivamente, a regulamentação
da EC 29. A ABO incentiva suas 320 células instaladas em todo o País
a se mobilizar e conscientizar a população, e seus representantes
no Executivo e no Legislativo, sobre a importância da regulamentação
como direito de cidadania”, defende Lubiana. |

Dois momentos: ABO presente na marcha pela Esplanada dos
Ministérios, em 2007, e na Jornada Nacional pela
EC 29, em fevereiro último |
Mais recursos para a saúde
O texto original de Tião Viana alterava a forma de definição
do orçamento da saúde, de variação
nominal do Produto Interno Bruto (PIB), para 10% das receitas
correntes brutas da União. Por um acordo entre os partidos
políticos, costurado pela Frente Parlamentar da Saúde,
o percentual de 10% foi escalonado. Com isso, o orçamento
da Saúde para 2008 sofrerá um acréscimo
de 8,5%. Em 2009, essa correção será de
9,0%; em 2010, de 9,5%; e em 2011, chegará aos pretendidos
10%.
Para o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos coordenadores
da Frente Parlamentar da Saúde (FSP), que a ABO apóia,
os R$ 48,5 bilhões previstos para o orçamento
da Saúde para este ano são insuficientes para
conter a crise do setor. Com a mudança aprovada pelo
Senado, o setor vai contar com mais R$ 5,5 bilhões este
ano. Até 2011, essas mudanças vão significar
um acréscimo, em valores atuais, de R$ 23 bilhões. “Com
esse dinheiro e um trabalho de gestão, vamos conseguir
salvar o SUS. Felizmente, os senadores se conscientizaram da
gravidade da crise e aprovaram a regulamentação
da Emenda da Saúde. Essa novela, que já se arrasta
há pelo menos cinco anos, está tendo um final
feliz”, comemorou Perondi.
ABO em jornada pela EC 29
No dia 19 de fevereiro, pouco menos
de dois meses antes da aprovação no Senado e ao lado de outras 30
entidades da saúde, a ABO, representada pelo seu vice-presidente,
Luiz Roberto Craveiro, participou da reunião da FPS
que lançou oficialmente a Jornada Nacional pela Aprovação
da EC 29. A jornada mobiliza profissionais e usuários
do SUS na cobrança de uma resolução
urgente à regulamentação da emenda.
A reunião foi realizada no gabinete do presidente do
Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e contou com a participação
de 25 parlamentares. O vice-presidente da ABO, Luiz Roberto
Craveiro, lembrou o histórico da entidade na luta pela
regulamentação da EC 29 e garantiu a participação
de toda a REDE ABO na Jornada Nacional. “Nós representamos
os mais de 216 mil cirurgiões-dentistas brasileiros,
que, antes de serem profissionais da Saúde, são
cidadãos e precisam se engajar nessa luta, que objetiva
garantir um sistema público de saúde de qualidade”,
defendeu Craveiro.
A dedicação da ABO à regulamentação
da EC 29 já havia sido evidenciada em carta aberta divulgada
durante a 13ª Conferência Nacional de Saúde,
realizada em novembro de 2007, em Brasília. No documento,
a ABO e as demais entidades que compõem o Fórum
das Entidades Nacionais dos Trabalhadores da Área de
Saúde (Fentas) manifestaram que a aprovação
da emenda “significa um avanço do financiamento
do SUS na forma de aumento dos recursos destinados pelo governo
federal, no estabelecimento de regras para a obediência
dos Estados ao piso constitucional e na definição
do que pode ou não ser reconhecido como efetiva ação
de saúde”. A carta caracterizou a aprovação
da EC 29 como “vitória da mobilização
do movimento social em defesa do SUS”.
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