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PROFISSÃO

ENTREVISTA
ABO e Osap: parceiras no controle da infecção


Enrique Acosta Gio
Diretor da Fundação Osap
Levar os procedimentos de controle de infecção na Odontologia da política à prática nos consultórios é o principal desafio da Organização para a Segurança e Procedimentos para a Assepsia (Osap, da sigla em inglês). A ABO Nacional e a Osap têm interesses recíprocos de colaboração para trazer ao cirurgião-dentista brasileiro informação confiável na forma de materiais educativos e conferências nos congressos da REDE ABO, inclusive com palestrantes brasileiros.

A Osap tem base em Annapolis (Maryland, EUA) e trata-se de um agrupamento global que busca aperfeiçoar o controle da infecção na Odontologia. O diretor da Fundação Osap, o mexicano Enrique Acosta Gio, cirurgião-dentista, doutor em Imunologia e chefe de laboratório de pesquisa infecciosa, esteve no Brasil em março, durante a realização do 19º Congresso Pernambucano de Odontologia, em Recife.

Para ele, o objetivo central da Osap é uma Odontologia mais segura para o cirurgião-dentista e para os pacientes. A Organização está preparada para transferir conhecimento sobre práticas de controle de infecção, por meio de diversas ferramentas educa¬tivas, para formar professores, CDs, higienistas, psicólogos e pesquisadores.

Acosta afirma que “o pior problema que existe sobre assepsia é a falta de cumprimento das regulamentações de biossegurança, uso de desinfetantes inadequados e desconhecimento, em alguns países, de formas práticas de cumprir as recomendações”.

EUA: experiência de 30 anos com HIV/Aids

Os Estados Unidos saíram na frente quando se trata de biossegu¬rança, pois adquiriram experiência neste campo há 30 anos quando surgiram os primeiros casos de epidemia de HIV/Aids. De lá para cá, consolidaram sua posição de vanguarda no combate à infecção, através da pesquisa, do ensino e na redação de recomendações para o controle de riscos. Acosta ressalta que o Brasil é bastante rígido quanto à biossegurança e é líder em pesquisas nessa área. “É preciso compartilhar experiências, pois muitas vezes o mercado oferece produtos pouco confiáveis, que não têm eficácia, e a falta de adoção das práticas de assepsia nos consultórios pode ser considerada quase mundial”, declara o especialista.

Para ele, entidades como a ABO estão muito conscientes do problema e buscam soluções. Além da informação, é preciso ter docentes, professores e líderes que saibam conceitos de educação de adultos, no caso o CD, para provocar a modificação de conduta e aplicar técnicas de motivação para que o profissional e sua equipe melhorem a sua segurança e a de seu paciente.

Além disso, é importante reconhecer a necessidade do conhecimento científico, mas de forma que seja possível adaptá-lo aos recursos de cada país, de cada região, tanto nas formas de trabalho privado, como público e de missões humanitárias. “Os procedimentos de biossegurança devem ser lógicos e possíveis de cumprir. Só assim o CD tomará a iniciativa de adotá-los, sem fiscalização.” (Zaíra Barros)

Os 4 princípios da biossegurança
Acosta cita os quatro princípios que devem nortear a biossegurança:

1- CD e equipe devem estar saudáveis. Isso inclui receber vacinas contra hepatite B, gripe e outras;
2- evitar contato com sangue, mucosa e pele não-intacta sem luvas, contato direto ou exposição a vias contaminantes;
3- manter os instrumentos seguros, com esterilização feita entre o atendimento a cada paciente, envoltos em filme plástico, e verificar o êxito do ciclo de esterilização, inclusive de peças de mão, que também devem estar envoltas em filme plástico;
4- evitar contaminação do consultório com barreiras impermeáveis descartáveis para proteger as superfícies, ou lavá-las.
Há literatura à disposição no site da Osap, inclusive curso gratuito para CDs, por enquanto nos idiomas inglês e espanhol. Em breve o material será disponibilizado em português, francês e outros idiomas.
Conheça a Osap em www. osap.org.


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