SAÚDE
O
brasileiro e as doenças crônicas não-transmissíveis
Levantamento do Ministério da Saúde mapeia a
saúde da população, traçando um
perfil em relação a doenças crônicas
e seus principais fatores de risco, como colesterol, tabagismo,
excesso de peso, sedentarismo, hipertensão, entre outros
Mais atenção e preocupação com
a saúde é o que falta aos brasileiros, segundo
estudo encomendado pelo Ministério da Saúde e
que mostra, por exemplo, que cerca de 43,4% da população
adulta está com excesso de peso, com índice de
massa corpórea (IMC) maior que 25. Além disso,
29% dos adultos são sedentários. Os números
fazem parte da pesquisa realizada pelo Sistema de Vigilância
de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel),
feita em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas
em Nutrição e Saúde da USP, nas capitais
dos 26 estados do País e Distrito Federal.
O estudo é realizado anualmente com pessoas acima dos
18 anos e em 2007, sua segunda edição, foram
feitas cerca de 54 mil entrevistas. O objetivo é monitorar
os fatores de risco de doenças crônicas não
transmissíveis. Depois, a partir desses dados, seriam
desenvolvidas políticas públicas de promoção
de saúde e prevenção.
O questionário aplicado tinha perguntas sobre tabagismo,
consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, ingestão
de frutas, verduras e hortaliças, atividade física,
proteção contra raios ultravioletas, auto-avaliação
do estado de saúde, diagnóstico autodeclarado
de hipertensão e diabetes e, para as mulheres, exame
de mamografia e preventivo de colo de útero (papanicolau).
A saúde bucal ficou de fora da pesquisa, mas vale a
pena lembrar que, em 2003, o Ministério da Saúde
realizou o SB-Brasil, que foi o mais completo levantamento
epide¬mio¬lógico já feito sobre as condições
bucais dos brasileiros, e que contou com o apoio da ABO.
A seguir seguem os principais resultados do estudo.
Tabagismo - A freqüência de fumantes no País
todo é de 16,4%. “Percebemos que esse hábito
está diminuindo, mas o ideal é a sua eliminação”,
comenta a coordenadora da pesquisa, Deborah Carvalho Malta.
A capital onde o hábito de fumar está mais disseminado é Porto
Alegre (21.7% da amostra) e o local onde se dão menos
baforadas é em Salvador, com 11,5% de indivíduos
adeptos ao vício. Se for comparado o hábito entre
homens e mulheres, eles (20,9%) fumam mais que elas (12,6%).
Os homens que mais tragam no país estão em Florianópolis
(26%), já as mulheres, na capital gaúcha (20%).
Em ambos os sexos, a freqüência de fumantes cai
após os 54 anos de idade, alcançando menor regularidade
entre os indivíduos com 65 anos ou mais.
Obesidade - Aqueles com excesso de peso
(IMC > ou igual
a 25) já somam 43% da população entrevistada. “A
situação é preocupante, o excesso de
peso é um fator de risco para doenças do coração,
diabetes e outras”, observa a coordenadora. A maior
parcela de adultos com excesso de peso foi encontrada em
Cuiabá (49,7%), tanto de homens (57%) adultos como
de mulheres (42%), e a menor em Palmas (33,4%). Em geral,
a ocorrência do excesso de peso é mais freqüente
em homens do que em mulheres. O cruzamento entre excesso
de peso, grau de escolaridade e gênero revela que entre
homens o maior número de indivíduos acima do
peso está entre os de maior escolaridade, já entre
mulheres, o aumento ocorre mais quanto menor for a escolaridade.
Já em relação à obesidade (IMC> ou
igual a 30), o Brasil tem 13% de obesos, sendo a maior parcela
encontrada no Macapá (16%), seguido de Campo Grande
(15%). A menor quantidade de obesos está em Palmas
(8,8%). O maior número de homens obesos foi encontrado
em Macapá (19,5%) e de mulheres em Cuiabá (14,8%).
Consumo de frutas, legumes e verduras -
O consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de
400g/dia de frutas, legumes e hortaliças, o que corresponde
a cinco ou mais porções. Na maioria das cidades
estudadas, observou-se um consumo reduzido dessa quantidade.
No País todo, a freqüência foi de 17%. “Precisamos
traçar estratégias para aumentar o consumo de
frutas e verduras”, alerta Deborah. A maior regularidade
foi encontrada em São Paulo, que apresentou 23% da amostra
com esse hábito; contra Porto Velho, do lado oposto,
com 10%. Entre os homens, o lugar onde foi encontrada a menor
quantidade de indivíduos com esse hábito foi
em Porto Velho (7% dos entrevistados) e a maior em São
Paulo, com 18%. Já entre as mulheres a faixa variou
de 10,6%, em Boa Vista, a 27,7%, em São Paulo.
Consumo de carnes com excesso de gordura -
O consumo geral foi de 32,8% da amostra entrevistada. A capital
em que se alimentam
mais de carnes com a gordura aparente é Campo Grande,
com uma freqüência de 45%. “Essa cidade também
foi a segunda em quantidade de obesos. É preciso trabalhar
a informação que comer carne sem gordura é melhor
para a saúde, previne doenças cardio¬vas¬culares,
por exemplo”, explica a coordenadora. A capital baiana é o
local onde os entrevistados se alimentam menos de carne gorda
(23%).
Homens tendem a consumir mais (42,7%) que mulheres (24,3%).
Das capitais, os homens de Belo Horizonte são os que
consomem carne com gordura em maior regularidade (57,1% da
amostra). Entre as mulheres, a capital Campo Grande teve o
maior consumo (35,3% das entrevistadas).
Consumo de leite integral -
A alimentação com
leite integral está bastante disseminada no país,
a sua freqüência total foi de 53%. A faixa de consumo
dessa bebida variou entre 42%, em Vitória (menor ingestão),
e 64%, em Belém (maior ingestão). De maneira
geral, o consumo dessa bebida é maior entre homens (55%),
que em mulheres (51%). “O consumo de leite em adultos é uma
importante fonte de cálcio, mas deve ser incentivada
a opção de adotar o uso do leite desnatado, sem
gordura, que previne doenças crônicas”,
recomenda Deborah.
Consumo de refrigerantes - A freqüência de adultos
que consomem refrigerantes cinco ou mais dias da semana variou
de 21%, em Aracaju, a 38% em Macapá. No País
todo, 26,7% dos entrevistados bebem refrigerantes. Os homens
bebem com mais regularidade (31.7%) que as mulheres (22,4%).
Entre os homens adultos, Porto Velho é a capital onde
há maior consumo (43%) e o menor em Natal (19%). Entre
as mulheres, o uso mais regular da bebida é em Macapá (38%)
e o menos freqüente, em Natal (12%). Foi observado também
que quanto maior a escolaridade menor o consumo de refrigerantes.
Atividade física
no lazer - São poucos os adultos
que praticam atividade física suficiente no lazer (30
minutos diários de intensidade leve ou moderada em cinco
ou mais dias da semana). A freqüência varia entre
11,3%, em São Paulo, e 20,5% dos entrevistados em Vitória.
No País, a prática regular foi de 15,5%. “Talvez
Vitória tenha tido a maior freqüência, pois
apresenta um serviço de orientação ao
exercício físico criado pela prefeitura há mais
de 20 anos”, diz Deborah. Entre homens e mulheres, eles
praticam mais atividade física no período em
que estão livres. Se 19,3% deles têm esse hábito,
entre as mulheres, apenas 12,3%. Entre os homens, a faixa etária
em que a freqüência de atividade é máxima é dos
18 aos 24 anos. Entre mulheres a situação mais
desfavorável é encontrada nas faixas etárias
extremas, apenas 10% das mulheres jovens e 11% das idosas informaram
atividade física no lazer.
Inatividade física -
Outro extremo da atividade física,
o seden¬tarismo, varia de 25% dos entrevistados em Porto
Velho a 34% em Recife. No Brasil todo, 29% dos entrevistados
são sedentários. Houve variação
entre os dois sexos para o sedentarismo, os homens são
mais sedentários (31%) que as mulheres (27,8%). Quanto
maior é a faixa etária (> 65 anos) menor é a
quantidade de exercícios que se faz, tanto em homens,
quanto em mulheres (54% dos homens e 58% das mulheres).
Consumo de bebidas alcoólicas - O consumo
abusivo de bebidas alcoólicas (considerando cinco doses para homens
e quatro para mulheres em uma mesma ocasião, nos últimos
30 dias) variou entre 13,4%, em São Paulo e 23%, em
São Luís (ingestão com mais regularidade).
A freqüência nacional foi de 17,5%. Na maioria das
cidades, a ingestão abusiva foi três vezes maior
entre os homens (27,2%)do que nas mulheres (9,3%). A partir
dos 45 anos de idade a ingestão de álcool declina
progressivamente.
Dirigir após consumo
de bebidas - O consumo abusivo
de bebidas seguido do ato de guiar um carro é maior
em Palmas (4,5%) e a menor freqüência no Rio de
Janeiro (1%). Nas capitais do Brasil, o percentual geral foi
de 2%. Ao comparar eles com elas, a situação é mais
freqüente entre homens (4%) do que entre mulheres (0,3%).
Os homens de Teresina são os que mais bebem no País
e conduzem um automóvel (9,5% dos entrevistados). As
mulheres do Distrito Federal e de Palmas são as que
mais ingerem bebida alcoólica e depois dirigem (1,8
e 1,6% da amostra em cada capital respectivamente).
Auto-avaliação do estado de saúde -
A auto-avaliação do estado de saúde é um
indicador relevante. Cerca de 5% dos brasileiros avaliaram
seu estado de saúde como ruim. A freqüência
de adultos que auto-avaliou seu estado de saúde como
ruim variou entre 3,3% em Belo Horizonte e 7,9% em Manaus.
Entre homens, o maior percentual foi em Salvador, com 7%, e,
entre mulheres, Manaus, com 10%. De uma maneira geral, as mulheres
tendem a achar seu estado de saúde pior que os homens.
Prevenção de câncer de colo de útero -
O Ministério da Saúde recomenda o exame de
colo de útero (papanicolau) a cada três anos para
todas as mulheres entre 25 e 59 anos que apresentaram citologia
normal no último exame. O maior percentual de mulheres
que fizeram o procedimento nos últimos três anos
foi observado em São Paulo (90%) e Porto Alegre (90%)
e os menores em Teresina (68%) e Fortaleza (69%).
Prevenção/mamografia -
A maior freqüência
de mulheres entre 50 e 69 anos que realizaram mamo¬grafia
nos dois últimos anos foi observada em Florianó¬polis
(85%), seguido de Vitória (84%) e Porto Alegre (81%).
As capitais Boa Vista (52%) e Macapá (54%) são
os locais onde uma parcela menor de mulheres fizeram o exame
nesse período. A cobertura da mamo¬grafia aumenta
quanto maior for o grau de escolaridade. O exame é recomendado
para as mulheres com idade entre 50 a 69 anos, com o máximo
de dois anos entre os exames. A recomendação é anual,
a partir dos 35 anos, para as mulheres com histórico
familiar de câncer de mama.
Proteção contra
raios ultravioletas - Florianópolis é a capital onde mais indivíduos
se protegem contra a radiação ultravioleta (70%). É considerada
proteção contra raios usar filtro solar e/ou
chapéu e não se expor por mais de 30 minutos/dia
ao sol. No outro extremo, está Cuiabá onde 46,9%
evitam a luz solar. No quesito gênero, as mulheres (62%)
se precaviam mais que os homens (43%).
Hipertensão arterial -
A maior quantidade de indivíduos
que se autodeclararam hipertensos está no Rio de Janeiro
(27%) e a menor em Palmas (13,8%). Entre os homens, Recife é capital
com mais diagnóstico auto-referido de hipertensão
(26,7%). O Rio de Janeiro é a capital onde mais mulheres
declaram ter a doença (31%).
Diabetes - Natal é a capital onde há maior quantidade
de diabéticos auto¬declarados, eles somam 7,5% da
amostra. A capital com menor parcela de diabéticos é Boa
Vista, com 1,8% da população. Entre os homens,
a capital onde mais indivíduos referem a doença é Cuiabá (6%)
e entre as mulheres Natal (9%). Considerando toda a população
estudada, 5,7% das mulheres referem ter diabetes contra 4,8%
dos homens. O diagnóstico da doença se torna
mais comum com o aumento da idade.
Mais informações em www.
saude.gov.br, em
Brasil Sorridente.
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