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O democrata da saúde
ENTREVISTA

O sonho de Per-Ingvar Brånemark é tornar a osseointegração cada vez mais acessível ao cidadão comum. Por isso ele deixou o posto que ocupava em uma fabricante internacional de implantes há sete anos para pesquisar novas soluções: mais simples, de baixo custo e que possam ser eventualmente até concluídas em um dia. Em 23 de setembro, data que marcava o 40º aniversário da osseointegração, ele concedeu rápida entrevista à Revista ABO Nacional. Nela, ele explica por que escolheu o Brasil para dar continuidade às suas pesquisas.


Per-Ingvar Brånemark

Revista ABO Nacional - Qual o futuro da osseointegração nos próximos 40 anos?
Per-Ingvar Brånemark
- Se olhar para trás, para Hipócrates, verá que houve contínuas mudanças, maiores ou menores, mas a maior delas é que mais pessoas puderam se beneficiar de um procedimento. E isto requer uma cobertura para os custos, que o procedimento seja seguro e que possa ser levado aonde os pacientes estão. Esta é a razão de minha vinda ao Brasil. Acreditamos que podemos atingir muitos pacientes. E agora temos colegas trabalhando também na China. Não podemos ter algo sofisticado para milhões de pacientes. Precisamos de algo simples, seguro e acessível. E deveria ser oferecido por médicos locais e não por hospitais universitários. Isto é democracia em assistência à saúde.

Rev. ABO –Já formou um grupo de seguidores para também divulgar a osseointegração no mundo?
P. I. Brånemark –Eu já formei um grande número de equipes pelo mundo, do Japão ao Chile, e continuamos a formar novos grupos. Há algumas semanas estive na Alemanha e um pesquisador russo me sugeriu criar um grupo em seu país. Este é o motivo pelo qual teremos também um núcleo em Moscou. Os problemas na boca, na face e nas mãos são os mesmos em todo o mundo. Somos muito similares. É um erro achar que existe uma coisa muito específica para suecos, brasileiros ou chineses.

Rev. ABO –Como classifica a Odontologia Brasileira, em termos de osseointegração?
P. I. Brånemark –Comecei a trabalhar aqui em 1992 e decidi mudar o centro global de Gotemburgo para o Brasil. Você acha que eu faria isso se não acreditasse que o Brasil é o futuro não só para a Odontologia, mas em assistência à saúde? Se continuarmos a trabalhar juntos teremos muito o que aprender e compartilhar.

Rev. ABO - O senhor acredita que as células-tronco são uma “ameaça”à osseointegração?
P. I. Brånemark –Se você quiser um bom dente, você pode reconstituí-lo com uma boa restauração. O problema é que estamos falando agora sobre o que nós podemos fazer pelos nossos pacientes pelos próximos 20 anos, com previsibilidade. E alguém tem que pagar por isso. Veja que estão gastando US$ 24 bilhões para mandar aquela coisa para o espaço. Dê-me US$ 24 bilhões e lhe farei um dente novo. Você tem células-tronco circulando pelo seu corpo a todo momento. Eu comecei estudando a medula óssea e pude vê-las nascendo, se formando. Se fizer uma cirurgia bem sutil, o sangue pode alcançar de forma natural qualquer lugar. Então deixe com a Mãe Natureza e seu corpo porque pode contar com eles. São como as plaquetas. Seu corpo é uma fábrica de plaquetas. Você não pode permitir que as companhias comerciais tratem seu corpo, não. É sério, é perigoso. Células-tronco são o futuro para as companhias que querem convencer os pacientes a comprá-las. Mas você as tem em seu próprio corpo. Se não as tem, precisa tratar a medula para que volte a produzi-las, por que são parte normal do seu sistema circulatório. É por isto que este encontro é tão importante. Ele traz as Ciências Básicas para as disciplinas de Medicina e Odontologia. Por isso também é relevante ter essa rede internacional que se comunica conosco a todo momento. Eles estão presentes agora na China, Hong Kong, Tóquio e em todo lugar. Acredito que isso é uma segurança contra essas empresas comerciais espertas. (MA)


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