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Apertando o cinto

A cirurgia bariátrica, realizada com o objetivo de perda de peso, começou a ser realizada na década de 50. Os resultados rápidos e efetivos fizeram com que o procedimento se popularizasse e novas formas de intervenção fossem pes­qui­sadas e desenvolvidas. Hoje, existem muitas variações de cirurgias para redução de estômago, indicadas conforme o caso e o objetivo.


Técnica Fobi-Capella

Segundo o cirurgião bariátri­co e coordenador do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Associação Brasileira de Estudos para a Obesidade (Abeso), Cláudio Corá Mottin, os tipos de cirurgias bariátricas seguem três padrões básicos: restritivo, desabsortivo e misto. O objetivo do restritivo é dificultar a entrada de alimentos no estômago, através da colocação de um anel regulável na parte inicial do órgão, diminuindo sua capacidade. Sua técnica mais usada é a banda gástrica ou lap band.

A função do padrão desa­b­sortivo é impedir que o intestino delgado absorva grande parte das gorduras e carboidratos ingeridos, reduzindo substancialmente sua extensão funcionalmente ativa. Esse padrão de cirurgia não causa grandes alterações na quantidade de alimento con­sumida pelo paciente e suas técnicas são a scopinaro e a switch duodenal.

Por fim, o padrão misto, que une na mesma cirurgia o impedimento da entrada do alimento no estômago e a diminuição da absorção de gorduras e car­boi­dratos. A menor ingestão de alimento se dá pela redução do tamanho do estômago, colocação de anel re­gulável, ou os dois. O padrão misto é o mais realizado em todo o mundo e inclui a técnica Fobi-Capella.

As cirurgias bariátricas podem ser feitas por laparotomia (corte no abdômen) ou por via laparoscópica (orifícios pelo abdômen).

O primeiro requisito exigido dos pacientes que querem perder peso através de cirurgia é ter o Índice de Massa Corporal (IMC) - cálculo do peso dividido pela altura ao quadrado - igual ou maior que 40 kg/m². No caso de portadores de outras doenças determinadas ou agravadas pela obesidade, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, esteato­se hepática e outras, o IMC mínimo exigido é de 35 kg/m². O paciente também precisa estar obeso por dois ou mais anos e já ter tentado, sem sucesso, outros tratamentos clínicos, como remédios e dietas.

O especialista Cláudio Mot­tin ainda acrescenta que antes de se submeter ao procedimento, a pessoa também deve estar ciente do que é obesidade, de como ocorre a cirurgia e de que é necessário fazer um acompanhamento de longo prazo (toda vi­da). Além disso, é preciso uma avaliação pré-operatória rigorosa para garantir condições mentais de autocontrole e risco cirúrgico aceitável. O limite de idade exigido a princípio é entre 18 e 65 anos.

Quanto às contra-indicações das cirurgias bariátricas, as principais são o alcoolismo não controlado, o uso de drogas e alterações psiquiátricas, entre outras. Segundo Mottin, a maioria dos critérios de contra-indicação é relativa, enquanto os de indicação estão sendo aperfeiçoados e ampliados pela Federação Internacional para Cirurgia de Obesidade (IFSO, em inglês).

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