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Ortodontia diet

No Hospital das Clínicas da Universidade Es­tadual Paulista (Unesp), em Botucatu, um procedimento estético usado para correção de mandíbula foi convertido em uma nova técnica para redução de peso.


Ortopedista Fausto Viterbo,
da Unesp

Fausto Viterbo, professor do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina da Unesp, notou que os pacientes que usavam um fixador intermaxilar, que mantém a boca fechada, associado a uma dieta de líquidos, emagreciam rapidamente e de forma saudável. O docente então resolveu adaptar o sistema como uma alternativa de tratamento da obesidade mórbida.

Os resultados alcançados foram animadores. Dezessete mulheres e cinco homens com idade entre 16 e 53 anos perderam até 20% do peso durante 42 dias. Em média, Viterbo afirma que os pacientes perderam 7%. Um dos pacientes teria perdido 30 quilos em seis semanas, de acordo com o docente.

O dispositivo é semelhante a um aparelho ortodôntico comum. Os dentes ficam encostados e é possível mover os lábios e se comunicar. De vez em quando é preciso ser removido para o paciente exercitar o maxilar. Um mês de uso é o tempo ideal para que o fixador intermaxilar dê algum resultado. E é necessário retirá-lo uma vez por semana para limpeza e aplicação de flúor.

Como na cirurgia de redução do estômago, a manutenção da silhueta esbelta depende muito da colaboração do próprio paciente. O acompanhamento é feito por orto­dontistas, endocrino­lo­gistas e nutricionistas, porém o usuário do aparelho precisa con­dicionar seus hábitos alimentares para não engordar novamente.


Fixador maxilar que mantém a boca fechada

Augusto Mazzoni Neto, ortodontista responsável pela instalação, afirma que a técnica empregada no aparelho – straight wire – é amplamente conhecida. O inusitado da aplicação está na finalidade de seu emprego. “Nós atuamos no dente e o resultado foi sistêmico”, explica. Segundo ele, o recurso abre novas possibilidades para os ortodontistas em tratamentos multidisciplinares para redução de estômago, com participação de psicólogos, nutricionistas, endocrinologistas e cirurgião plástico, a exemplo do trabalho desenvolvido por Viterbo. De acordo com Neto, a intervenção isolada do ortodontista em um caso de obesidade mórbida seria o “cúmulo da irresponsabilidade”.

 

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