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SAÚDE BUCAL
Pela vida, contra a cárie

Promoção da saúde passa pelo bem-estar do paciente, segundo abordagem moderna da Odontologia. E cirurgiões-dentistas usam tecnologias menos invasivas para diagnóstico precoce da doença e tratamento das lesões

Especial I - Marcelo de Andrade e Antonela Tescarollo

Dos australopitecos aos neolíticos, todas as populações de hominídeos encontradas apresentavam lesões de cárie dental. Porém, a doença era muito incomum entre os restos mortais do paleolítico e mesolítico. Nos hominídeos mais antigos, a incidência de cárie era menor do que 1%. O salto histórico da incidência da cárie dental coincide com a introdução de alimentos ricos em sacarose a partir da Era Medieval e desde então a Humanidade se viu atrelada a esta indesejada companheira histórica. A vida tornou-se muito mais complexa, e as condições ambientais, sociais e até psicológicas demonstraram ser tão decisivas para o surgimento da doença quanto os aspectos biológicos. Hoje a Odontologia pesquisa uma abordagem holística, que procura lidar com toda a gama de variáveis, intra e extra-orais. E nesta busca que leva a diversas veredas, especialistas afirmam que a qualidade de vida é fator preponderante para a promoção da saúde.

Este novo olhar sobre a cárie, as formas atuais de prevenir, diagnosticar e tratar tanto o indivíduo quanto às coletividades são o tema de uma série de reportagens especiais iniciada com este número. Para a primeira edição, a Revista ABO Nacional consultou o doutor em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA-Unesp) e diretor clínico do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Lavras (Unilavras), Marcelo Rodrigues Gonçalves, e o doutorando em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) e professor de Odontopediatria e Clínica Integrada Infantil da Uniararas, Thiago Machado Ardenghi. Eles analisam os conceitos atuais da doença e seu impacto sobre a qualidade de vida. “Proporcionar saúde não significa simplesmente evitar doenças, mas também oferecer situações que ampliem a capacidade de autonomia e o padrão de bem-estar físico, psicológico e social”, explica Arden­ghi.

O diagnóstico das sutilezas da manifestação cariológica exigem olhos treinados e ferramentas adequadas. A compreensão do desenvolvimento da doença ampliou o leque de recursos de detecção de lesões e vestígios da doença. O mestre e doutor em Odontopediatria Fausto Medei­rosMendes, cirurgião-dentista especializado em diagnóstico de cárie, comenta os prós e contras das novas tecnologias, como microscopia clínica, radiografia digital e laser, em comparação com os meios tradicionais, como inspeção visual e radiografia. Também descreve as características de tecnologias aplicadas em Odontologia que nem desembarcaram ainda em solo brasileiro, como a microtomografia.

Uma vez diagnosticada a doença e seus sintomas, o próximo passo é o tratamento. E neste também estão surgindo novos preceitos de atendimento. Está em voga uma corrente denominada de Mínima Intervenção (MI), que aposta nos tratamentos mais conservadores, que preservam o máximo possível os tecidos.  A odontopediatra Sora­ya Coelho Leal, estudiosa da Odontologia de MI e doutora em Ciências da Saúde, dá mais detalhes desta tendência que ocorre também em outras áreas da saúde.

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