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SAÚDE BUCAL
Marcação cerrada

O tratamento de lesões de esmalte, segundo a filosofia de mínima intervenção, varia da observação e controle do biofilme ao laser de alta potência e ozônio, passando pela aplicação de cariostáticos, quimioterápicos e selantes. Cooperação do paciente ainda é determinante do sucesso e manutenção da saúde


CD Mariana
Minatel Braga

A atividade ou inércia da lesão da cárie em esmalte determina a abordagem de mínima intervenção. De acordo com a especialista e mestranda em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia da USP (FO/USP) e professora do curso de especialização em Odontopediatria da Uniararas, Mariana Minatel Braga, as técnicas para lesões ativas em esmalte mais utilizadas hoje são a observação e controle; aplicações de cariostático, verniz de clorexidina ou flúor e o selamento de lesões de cárie em esmalte.A especialista cita ainda o laser de alta potência e o ozônio como inovações tecnológicas importantes para o controle dessas lesões, mas que necessitam de estudos controlados para consolidar sua eficácia clínica.

Dependendo da região em que se encontra a lesão de cárie em esmalte, pode-se empregar uma ou outra técnica. É o caso da clorexidina, que, segundo Mari­ana, tem mostrado melhores resultados para superfícies oclu­sais do que para superfícies proximais, por exemplo. Outras, como a aplicação tópica de flúor, compara a especialista, podem ser aplicadas com sucesso em qualquer tipo de superfície.

Entretanto, requerem a utilização da forma de apresentação adequada à superfície tratada. O verniz fluoretado, cita a especialista, apresenta melhores resultados em superfícies oclusais do que o flúor em gel.

Paciente: aliado ou inimigo?

A técnica de observação e controle consiste basicamente no monitoramento do biofilme, dieta e aplicação tópica de flúor, se necessário. Mariana entende que a técnica poderia ser classificada concomitantemente como a mais simples e a mais difícil dentre as citadas para o tratamento de lesões ativas do esmalte.

É mais simples porque não depende de qualquer tecnologia e poderia ser executada com um simples contato entre o profissional, o paciente e seu núcleo familiar. Paradoxalmente, Mariana também afirma que se trata da mais difícil porque depende do paciente para que seu sucesso seja alcançado. Essa singularidade a torna pouco recomendável para indivíduos irredutíveis e pouco colaboradores.

Segundo a odontopediatra, o controle de biofilme pelo paciente, previsto para essa técnica, deve ser um complemento ao controle realizado no consultório. O cirurgião-dentista pode lançar mão de técnicas adaptadas em virtude de necessidades es pecíficas do paciente. “Um exemplo dessas adaptações é a técnica transversal modificada para molares em erupção, que preconiza a esco­vação no sentido vestíbulo-lingual a fim de remover mais eficientemente o biofilme acumulado sobre esses dentes, que se encontram em infra-oclusão”, detalha Mariana.

Para as lesões inativas, a observação e controle têm se mostrado suficientes e satisfatórios. Seu objetivo, nesses casos, é acompanhar essas lesões e controlar os fatores etiológicos da doença para minimizar o risco de recidiva tanto no sítio da lesão inativa, como em outros locais da cavidade bucal.

Banho químico

Quimioterápicos e substâncias remineralizadoras, como o cariostático, clorexidina e o flúor, apresentam uma facilidade de aplicação clínica expressiva na avaliação de Mariana. Apesar de não dependerem da cooperação direta do paciente, o que é uma vantagem, tais métodos podem, ainda que em menor proporção, serem influenciados pela pouca participação do paciente no controle da doença.


Selamento de fossas
e fissuras com cimento
ionômero de vidro


Aplicação de cariostático
controla os microrganismos
As substâncias mencionadas controlam os microrganismos ou atuam no processo de desmine­ralização e remineralização dos tecidos dentais. Porém, explica Mariana, o desafio cariogênico do paciente, caso não haja controle geral dos fatores etiológicos da cárie, pode ser maior que o potencial de ajuda desses materiais, culminando no insucesso da técnica proposta. “Além disso, se o desafio cariogênico for inin­terrupto, corre-se o risco de cessar a ação da substância utilizada, sem que os efeitos de perda mineral sobre o dente sejam paralisados”, adverte.

Outros pontos precisam ser avaliados para a escolha dessas soluções. O escurecimento da região da lesão da cárie é apontado por Mariana como uma desvantagem do cariostático. Já a clorexidina é pouco seletiva: age indistintamente sobre microrganismos cariogênicos e os inofensivos à saúde bucal. Ou seja, o CD mira no que vê e acerta o que não vê também.

O flúor, por sua atuação expressiva no processo de desmi­neralização-reminera­lização e por sua facilidade de utilização, especialmente sob a forma de verniz, acaba sendo o quimio­terápico mais utilizado. “Deve-se apenas salientar a necessidade de seu uso racional, de acordo com o risco e a atividade de cárie do paciente e com precauções para minimizar seus efeitos tóxicos agudos, como a intoxicação por flúor, e crônicos, como a fluorose”, ressalva.

Destino selado

Quem lida com selante em esmalte lida com uma expectativa similar à dos quimioterápicos. Muitos consideram a lesão de cárie tratada no momento em que o dente é selado, transferindo totalmente a responsabilidade do controle da doença para o profissional. No entanto, ela lembra que essa lesão fica apenas controlada, uma vez que o material para selamento isola a superfície dentária do meio externo, evitando seu contato com o biofilme. Mas se por acaso esse selante se destacar ou sofrer infiltração, e os fatores etiológicos da doença não estiverem sob controle, o tratamento pode fracassar, e a lesão, progredir.

Selante é, portanto, uma solução atrativa para pacientes pouco cooperativos e pouco receptivos a orientações. E pode evitar desmineralizações mesmo em superfícies em que o paciente não consegue controlar a placa bacteriana. “Os cimentos de ionômero de vidro são, por exemplo, indicados para selamento de dentes em erupção, em que a dificuldade de controle do biofilme, certas vezes, não depende da simples vontade do paciente, esbarrando em condições anatômicas desfavoráveis, especialmente na situação de infra-oclusão”, pondera a especialista.

Mariana afirma que as técnicas citadas, com exceção do ozônio e laser de alta potência, que precisam de validação clínica mais consistente, estão inseridas dentro da filosofia de mínima intervenção e desde que associadas a um contexto de educação do paciente e do seu núcleo familiar, têm demonstrado bons resultados em acompanhamentos clínicos longitudinais. “O controle e a não progressão das lesões de cárie têm sido alcançados sem que seja necessária qualquer tipo de invasão ou desgaste de estrutura dental”, conclui.

     
 

Résume - Oral Health 
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