SAÚDE BUCAL
Fiat lux
Lasers se inserem no protocolo de mínima intervenção contra a cárie.
A técnica resulta em remoção tecidual conservadora, com maior preservação de estrutura dental em comparação com a utilização dos instrumentos rotatórios.
O paciente agradece

CD Ricardo Scarparo Navarro |
O coordenador do Laboratório Especial de Laser em Odontologia (Lelo) e diretor da Faculdade de Odontologia da USP, Carlos de Paula Eduardo, a professora doutora do Departamento de Dentística, Patrícia M. de Freitas, e o professor do mestrado profissionalizante de Laser em Odontologia do Ipen-FO/USP, Ricardo Scarparo Navarro, ambos também da USP, afirmam que os lasers se inserem no protocolo de mínima intervenção em duas abordagens frente à doença cárie.
A primeira é amparada por pesquisas que apontam para a efetividade dos lasers de alta potência (Nd:YAG, Er:YAG e Er,Cr:YSGG) na prevenção ou paralisação das lesões de cárie ativas no esmalte, em associação com as condutas e práticas de promoção de saúde, controle da higiene e uso racional de fluorterápicos, de acordo com o risco e atividade da doença do paciente. Os lasers de alta potência promovem, através de efeito térmico, alterações morfológicas ou de composição química da estrutura dental irradiada.
Outra abordagem frente à doença cárie é a realização de “preparos cavitários minimamente invasivos” na presença de lesões ativas em esmalte e dentina que indiquem a invasão e remoção da estrutura dental. |
Os lasers de alta potência atuam como um instrumento efetivo na remoção seletiva do tecido cariado e estrutura dental, através da alta absorção dos comprimentos de onda dos lasers de Er:YAG (2940nm) e Er,Cr:YSGG (2780nm) pelos cromóforos (água e hidroxiapatita) presentes no tecido dental. Através do processo termomecânico de ablação explosiva, a técnica resulta em remoção tecidual conservadora, com maior preservação de estrutura dental em comparação à utilização dos instrumentos rotatórios. Além disso, o laser promove efetiva redução microbiana do substrato dentinário remanescente. É indicado para realização desde cavidades minimamente invasivas até preparos cavitários mais extensos, de acordo com a extensão e atividade da lesão cariosa.
De acordo com os professores, estudos mostram a efetividade dos lasers na prevenção da formação de lesões de cárie. Existem grandes perspectivas para aplicação da tecnologia, mas que necessitam de estudos laboratoriais e clínicos para revelar evidências dos seus efeitos, protocolos e mecanismo de ação nos tecidos mineralizados dentais, vislumbrando uma possibilidade de redução da recidiva de formação de lesões secundárias nas margens cavitárias preparadas ou tratadas com fontes de luz de alta potência.
Lasers de baixa e alta potência
Os lasers de baixa potência são indicados pelos efeitos fotobiomodulatórios na polpa após remoção do tecido cariado e realização de preparos cavitários pela técnica convencional. Isso reduz a inflamação pulpar e sensibilidade pós-operatória, trazendo conforto aos pacientes.
De acordo com Carlos de Paula Eduardo, os lasers de alta potência de Nd:YAG, Er:YAG, Er,Cr:YSGG são uma alternativa para remoção final do tecido cariado quando os preparos cavitários são realizados de forma convencional (instrumentos rotatórios ou curetas). Ricardo Scarparo Navarro ressalta as perspectivas na utilização desses lasers como instrumento auxiliar no tratamento restaurador atraumático (em inglês, Atraumatic Restorative Treatment - ATR) e capeamento pulpar indireto em lesões de cárie profundas, promovendo a vaporização ou ablação final do tecido cariado infectado, redução microbiana no substrato dental remanescente afetado e possibilidade de fusão ( melting ) e vedamento dentinário, atuando na proteção do complexo dentino-pulpar.
Os lasers de Er:YAG ou Er,Cr:YSGG, explica Patrícia M. de Freitas, são indicados para a realização efetiva de preparos cavitários, ou melhor, como ressalta Navarro, de “adequações cavitárias”, com remoção estrita e localizada do tecido cariado, sem definição cavitária própria para materiais restauradores adesivos.
O comprimento de onda dos lasers de Er:YAG (2940nm) e Er,Cr:YSGG (2780nm) apresentam alta absorção pelos cromóforos água e OH - da hidroxiapatita, encontrados em diferentes concentrações na estrutura dental. Esta interação deflagra o processo de aquecimento, vaporização e expansão da água, com aumento da pressão intratecidual, gerando microexplosões do tecido irradiado. Este é o processo termomecânico de ablação, caracterizado pelo estouro tecidual e ruído característico, conhecido como popping.

Remoção de tecido caiado com laser de Er,CR:YSGG |
Como vantagens dessa tecnologia, Navarro apresenta o caráter seletivo e conservador na remoção da estrutura dental devido à alta interação (ressonância) entre o comprimento de onda destes lasers e as diferentes quantidades de água nos tecidos dentários (esmalte, dentina, dentina afetada e infectada). Os professores reforçam a necessidade do uso de curetas para auxiliar na remoção e avaliação da consistência do tecido dental a ser mantido, e a redução microbiana no substrato dental remanescente promovida pelo efeito térmico do laser. Outras vantagens incluem a inexistência de contato, eliminando os desconfortos da vibração e redução da sensibilidade dolorosa, trazendo maior aceitabilidade dos pacientes temerosos. |

Preparo cavitário
dom laser de ER,CR:YSGG |
Entre as desvantagens, Navarro destaca o risco de danos irreversíveis aos olhos e pele durante os procedimentos com lasers. Por isso é obrigatório o uso de óculos específicos para o laser, barreiras de proteção e respeito às normas internacionais de segurança. Os lasers de alta potência podem causar ainda injúrias à polpa, periodonto e tecidos dentais remanescentes se cuidados com refrigeração, parâmetros e tempo de irradiação seguros e efetivos forem negligenciados.
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CO 2, eficiente com higienização e flúor
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O uso de laser CO 2 pode reduzir a desmineralização do esmalte dental, principalmente em associação com o flúor encontrado em cremes dentais e enxaguatórios. A conclusão é da mestre em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Universidade de Campinas (FOP/Unicamp), Carolina Steiner Oliveira ( foto ).
Carolina fez estudos durante um ano sob a orientação da professora Marinês Nobre dos Santos Uchôa para estabelecer parâmetros seguros de irradiação do esmalte sintético com laser CO 2 . |
Além de avaliar possíveis danos ao dente, ela verificou também a capacidade de reduzir a desmineralização do esmalte sem prejudicar a polpa. Ela demonstrou que o laser CO 2 com densidade de 10,0 J/cm 2 tem mesmo capacidade para diminuir a desmineralização do esmalte sem danificar o interior do dente.
Em seguida, Marinês e Carolina investigaram a ação do laser combinada com cremes dentais e enxaguatórios na redução da desmineralização do esmalte dentário numa exposição ao açúcar simulada em laboratório. Todas as terapias combinadas, com exceção do laser e bocheco, reduziram a desmineralização e promoveram a remineralização. |
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