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SAÚDE BUCAL
Companhia indesejada?


Prof. José Carlos Pettorossi Imparato

A remoção parcial do tecido cariado ou selamento de cárie causa polêmica porque as pessoas não estão preparadas para ouvir”, reforça José Carlos Pettorossi Im­pa­rato. Segundo ele, todos os trabalhos realizados em duas etapas para comprovar a evolução da microbiota sepultada foram favoráveis. Primeiro, os estudos  removem uma parte da dentina lesada e vedam a cavidade. Depois, a cavidade é reaberta em intervalos que variam de alguns dias e a dentina é coletada novamente para análise mi­crobiológica.  De acordo com o odontopediatra, em todos os trabalhos, independente do material utilizado para selar a cavidade, ocorreu diminuição no número de bactérias. Ou a micro­biota permanecia inativa ou a velocidade da progressão da cárie era reduzida.

O capeamento pulpar indireto em dentes decíduos leva vantagem sobre o uso nos dentes permanentes sob o ponto de vista do tempo de permanência das bactérias. Um tratamento realizado em um segundo molar decíduo em uma criança de oito anos terá uma longevidade de aproximadamente três anos na cavidade bucal. Os trabalhos sugerem que neste período pode ocorrer a paralisação ou regressão da presença de bactérias e, portanto, não haveria

necessidade de uma segunda etapa. Na década de 90, a necessidade da não reabertura em dentes decíduos, em sessão única, com restauração definitiva e posterior avaliação de controle trimestral, foi aventada pioneiramente por Antônio Carlos Guedes Pinto e Danilo Antônio Duarte, desde que o paciente não apresente sensibilidade e a restauração permaneça íntegra.

Já nos dentes permanentes,  a necessidade ou não de uma segunda abertura  ainda aguarda uma prova cabal. Marisa Maltz, professora do  Departamento de Odontologia Preventiva e Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é autora de estudos sobre o capeamento pulpar indireto em dentes permanentes. Sua opinião é categórica. “Não há razão de gastar o tempo e o dinheiro do paciente com duas sessões”. Apesar de sua posição, ela concorda que ainda existem poucos trabalhos longitudinais sobre a técnica.

A hora certa de parar a remoção

Dentro do tratamento pulpar indireto, há diferentes critérios para detectar o ponto certo de parar a remoção da dentina cariada. Há profissionais que elegem o critério de dureza da dentina. Outros interrompem o desgaste quando a dentina se apresenta mais escura e mais dura. Outra linha pára a remoção quando a dentina começa a sair em lascas ou camadas coureáceas. Porém, ainda não surgiu um limite consensual para esta interrupção.

 
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