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SAÚDE BUCAL
Remédio contra a cárie

Antibióticos associados a cimentos e adesivos garantem maior segurança à remoção apenas parcial do tecido cariado


Alunos da PUC-Campinas com o prof. Sérgio Luiz Pinheiro (1º à esq.)

A remoção apenas superficial do tecido cariado, por meio de instrumentos manuais principalmente, está de acordo com os preceitos da Odontologia de Mínima Intervenção e vem sendo adotada por muitos profissionais. Mas, e se, neste tipo de procedimento, a paralisação da lesão e a inativação microbiana não acontecerem definitivamente? Para não ficar com esta dúvida, que prejudicaria a intervenção de forma pouco invasiva, alguns pesquisadores recorreram aos antibióticos para tratar o tecido cariado.

Os primeiros relatos desse uso dos antibióticos vêm das pesquisas do japonês Etsuro Hoshi­no e colaboradores (1988 e 1989), que associaram o metro­nidazol ao cimento fosfato alfa tricálcico. Em 1993, T. Sato e colaboradores chegaram à associação dos antibióticos metro­nidazol, cipro­floxacina e cefa­clor. Este estudo

serviu de respaldo científico para a dissertação de doutorado em Dentística pela FO/USP do cirurgião-dentista Sérgio Luiz Pinheiro. Em resumo, ele desenvolveu um cimento com ação antibac­teriana. O produto é composto de cimento de ionômero de vidro – que libera flúor e auxilia na remineralização de lesões iniciais - associado aos antibióticos metronidazol, ciprofloxacina e cefaclor, todos em porcentagem de 1%. Segundo Pinheiro, essa combinação de medicamentos tem um espectro de ação amplo, que inativa 98% das bactérias presentes na lesão da cárie. O cimento antibacteriano está no mercado desde o ano passado e possui casos de lesões seladas com ele com dois anos de acompanhamento clínico e radiográfico, indicando a paralisação de sua evolução, tanto em dentes decíduos quanto permanentes.

Sérgio Pinheiro também orienta equipe de iniciação científica que está desenvolvendo um adesivo com antibióticos, na graduação da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). O adesivo contém os mesmos medicamentos que o cimento e atualmente está na fase de avaliação da redução micro­biana in situ , da cito­toxicidade e resistência adesiva. O trabalho está sendo realizado pelos alunos Adriana Carmona de Alcântara, Alexandre Alves Neto, Sérgio de Paula Funchal Filho, Thiago Bernardes e Tamara Camarota Nascimento.

Bactérias inativas

A remoção parcial da lesão da cárie vem se difundido com a filosofia da Odontologia de Mínima Intervenção e apoiada nas pesquisas que afirmam que este tecido tem o colágeno dentinário parcialmente degradado e com potencial de reorganização.

Mas, Pinheiro, mesmo concordando com esse procedimento, afirma que é preciso também atentar para a profundidade da lesão de cárie na dentina, pois, nas lesões mais profundas, as bactérias, muitas vezes, já atingiram a polpa e, se elas não forem inativadas permanentemente, pode ocorrer uma necrose pulpar. O pesquisador também explica que, apesar de se saber que o selamento pode paralisar a lesão, ainda não é claro na literatura a redução microbiana necessária para impedir a evolução do tecido cariado.

A pergunta que não quer calar é: as bactérias remanescentes seriam capazes de reativar o processo de cárie ao longo dos anos ou causar necrose pulpar em lesões de cárie dentinárias profundas? Segundo o pesquisador, é ponto pacífico que quanto maior a contaminação dentinária, maior a probabilidade de injúrias pulpares e de reativação do processo. Segundo ele, isso deixa a dúvida se o selamento com cimento ionomérico puro é suficiente para promover a redução microbiana necessária para impedir a evolução de um processo inflamatório e necrótico pulpar em lesões profundas. O CD ainda explica que, nas lesões médias e rasas, qualquer biomaterial é capaz de paralisá-las.

Diante dessas possibilidades, Pinheiro conclui que o uso do sistema adesivo e do cimento com antibióticos em lesões em dentina profundas e muito profundas pode “acrescer um potencial de redução microbiana suficiente para minimizar ao máximo as injúrias pulpares pela inativação da microbiota diversificada, criando condições ideais para reparação”.

Os produtos antibacterianos devem ser aplicados da mesma forma que qualquer outro cimento de ionômero de vidro e adesivo. Assim, depois de selado com esses produtos, o tecido cariado é mantido e o dente não é aberto novamente.

À prova de resistência


Cimento com ação antibacteriana

Segundo Sérgio Luiz Pinheiro, não há risco das bactérias causadoras da cárie criarem resistência aos antibióticos associados ao cimento e ao antibiótico com o tempo. De acordo com ele,  a concentração de antibióticos é mínima e insuficiente para gerar cepas resistentes, conforme comprova a literatura sobre o tema. Além disso, o uso de três diferentes antibióticos amplia a ação contra as bactérias. Assim, as cepas resistentes ao metronidazol, podem não resistir a ciproflo­xacina ou ao cefaclor, e assim por diante.

O cimento antibacteriano (10g) custa R$ 71,50.

Onde encontrar

Tel.:  (+11) 5579.5885 (Grande São Paulo) e 0800.16.5885 (outras localidades).

 
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