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SAÚDE BUCAL
Debate ultrapassa fronteira da ciência

Questões de ordem ética, econômica, legal e ambiental também pesam nas decisões, segundo especialista em saúde coletiva


Paulo Frazão

O debate sobre fluoreta­ção é contaminado por conflitos de interesses e disputas das políticas públicas de saúde e saneamento. Os diferentes atores políticos, entre os quais, autoridades governamentais, parlamentares, lideranças comunitárias e representantes de empresas e organizações, não levam em consideração apenas as evidências científicas, mas também questões de ordem ética, econômica, legal, ambiental, entre outros, que decorrem dos diferentes valores que orientam a sua ação. A afirmação é do professor colaborador da FSP-USP, Paulo Frazão.

Apesar das tentativas de priva­tização, a água é um bem público imprescindível para a vida humana, e cada vez mais, fator de proteção social, soberania e riqueza econômica dos países. “Sendo a água processada pelas estações de tratamento, o veículo do flúor, aspectos relacionados à propriedade e à capacidade dos mananciais e demais fontes para sua obtenção, a cobertura da rede de abastecimento, a aceitação da população em consumi-la, e a repartição dos custos do seu tratamento e distribuição, tanto pelo Estado quanto pela sociedade, são aspectos geradores de intensas disputas e debates”, avalia.

A extensão e a profundidade desses debates guarda relação com as características políticas de cada Estado e ao modo como os valores relativos à república, democracia, direitos sociais e liberdade individual são equacio­nados em cada sociedade.

Do ponto de vista científico, acrescenta Frazão, a questão central diz respeito à segurança da medida. Enquanto os defensores da fluoretação destacam, entre outros pontos, sua eficácia na prevenção da cárie dentária, a segurança do método, a abrangência do benefício e o custo extremamente reduzido, aqueles que se opõem, afirmam principalmente que a segurança para a saúde humana não está totalmente comprovada, que o flúor é altamente reativo e pode predispor células e tecidos a desconhecidas alterações e que, portanto, a decisão sobre o seu uso sistêmico deve ser de foro individual e não coletivo.

“O fato é que o método é largamente utilizado em todo o mundo, em doses adequadas não produz fluorose dentária significativa, e os estudos não comprovaram sua insegurança ou relação com outras doenças e agravos à saúde”, conclui Frazão.

 
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