menu

SAÚDE BUCAL
Melhor remédio contra a cárie: reivindicação

A cárie continua sendo o principal problema de saúde bucal no Brasil, em todas as idades e classes sociais. Ela encontra brecha em uma série de fatores de risco, como escolaridade dos pais, sobretudo a das mães, renda familiar, inserção no processo produtivo e a apropriação de bens e serviços. Na opinião de especialistas, estes fatores precisam ser conhecidos e se tornar objetivos de políticas públicas. Além disso, o País precisa retomar o crescimento econômico de forma sustentável e mais igualitária. O discurso por mais justiça social não é tema estranho à Odontologia, conforme Paulo Capel Narvai.

Uma pesquisa realizada no município de São Paulo constatou que o crescimento dos níveis de cárie acompanham o aumento do número de habitantes por domicílio. Aumenta ainda mais quando se considera o número médio de pessoas por cômodo.

“Não é que piores condições de habitação sejam t:‘causa' de cárie, mas o resultado indica que se conseguirmos melhorar as condições de habitação é legítimo esperar níveis menores de cárie”, argumenta o especialista.Outra pesquisa conduzida por Julie Sílvia Martins, realizada no âmbito Faculdade de Odontologia da USP, mostrou que crianças que freqüentam creches têm risco duas vezes menor de desenvolver cáries do que aquelas que ficam sob cuidados das mães. O risco aumenta para três vezes quando as crianças são cuidadas pela avó, e oito vezes quando ficam com empregadas domésticas. Para Capel, “proporcionar creches para as crianças é uma medida muitíssimo importante para prevenir cárie, no contexto paulistano. As pessoas podem não saber, mas quando se mobilizam e lutam por creches para nossas crianças estão ajudando a diminuir os níveis populacionais da doença. Da mesma forma quando se mobilizam e lutam por água tratada”.

A dosagem certa

O teor ótimo de flúor adotado nas estações de tratamento de água da maior parte do território brasileiro - 0,7 parte por milhão (ppm) foi definido na última década de 50. O teor adequado de flúor para cada localidade depende sobretudo da temperatura do local. Pelos critérios vigentes, que levam em consideração a quantidade de água consu­mida pelas crianças, principal público-alvo da medida, em regiões mais frias, o teor tem de ser maior. O contrário vale para regiões mais premiadas com o calor, ou seja, quanto mais elevadas as temperaturas, menor o teor, pois a ingestão de água é maior. A precaução destina-se a evitar a fluorose.

D. J. Gallagan e J. R. Ver­million foram os autores da fórmula para o cálculo do teor adequado, ainda nos anos 50 do século passado. Fatos novos como a múltipla exposição ao flúor – em 1988, os principais dentifrícios incorporaram a substância na fórmula - e até mudanças no perfil climático de algumas localidades levaram alguns cientistas a propor novas pesquisas para validar os critérios cinqüentenários.

 
Voltar ao índice da Revista

Copyright © 2005 ABO - Associação Brasileira de Odontologia. Melhor se visualizado com resolução de 1024 X 768.
Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.