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SAÚDE BUCAL
Prevalência de fluorose é baixa no Brasil

Segundo os dados do último Levantamento Nacional das Condições de Saúde Bucal (SB Brasil 2003), a prevalência da fluorose no Brasil é muito baixa. A prevalência média foi de cerca de 9% em crianças de 12 anos, e os maiores índices foram encontrados nas regiões Sudeste e Sul com 12%, seguidas das regiões Centro-Oeste e Nordeste com cerca de 4%.

De acordo com o professor de Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Man­dic (Campinas-SP), Carlos Alfre­do Loureiro, estes resultados são muito menores do que os encontrados em populações que utilizam a fluoretação da água, como demonstrou a revisão sistemática feita em 2000 por Marian McDonagh, da Universidade de York (Inglaterra) e colaboradores com 88 estudos sobre fluorose. Loureiro explica que como os indicadores de fluorose levam em conta alterações que não

são percebidas pelos pacientes como um comprometimento estético, os autores criaram um indicador que considerava apenas os níveis de fluorose moderado e severo. Este indicador foi denominado fluo­rose como problema estético. Na concentração de flúor recomendada, cerca de 12,5% da população apresenta fluorose como problema estético. Utilizando análise de meta-regressão, os autores da revisão sistemática estabeleceram uma relação significante de dose-resposta entre a concentração de flúor na água e a preva­lência de fluorose.


Carlos Alberto Loureiro

Aplicando este mesmo critério aos dados brasileiros, a fluo­rose como problema estético ocorre em apenas 0,73% da população de crianças de 12 anos, sendo que a região Sudeste com 1,78% apresenta a maior pre­valência, e a região Norte com 0,20%, a menor, avalia o especialista.

“O que é preocupante nestes dados é que devido à relação dose-resposta, a prevalência de fluo­rose fornece uma indicação indireta do grau de exposição da população à água fluoretada. Ou seja, se a população está exposta a teores adequados de fluoretação de água para usufruir os benefícios de redução de cárie, também apresentará prevalência de fluorose compatível com a exposição”, avalia.

De acordo com as conclusões da revisão sistemática citada, pondera Loureiro, para se obter o benefício da fluoretação de água existe um preço que necessita ser pago como efeito indesejável. “Os dados brasileiros sugerem que, considerando a prevalência de fluorose, é razoável supor que o número de pessoas de 12 anos de idade que foram expostas a teores de fluoretação de água recomendados, durante a formação da dentição permanente, é muito reduzido no Brasil”, conclui.

Segundo Maria Helena Mon­teiro de Barros Miotto, da Ufes, a prevalência de fluorose está aumentando, porém nas formas mais suaves, o que não gera impacto social para a população. Nesse caso, mesmo com alguns estudos mostrando uma preva­lência de fluorose leve aos 12 anos acima de 30%, ela não é considerada problema de saúde pública.

“Existem regiões no Brasil onde a população consome água de poços com concentrações muito altas de fluoreto acima do indicado, portanto estão sujeitas à fluorose severa que compromete a estética e pode impactar a qualidade de vida”, avalia a docente. “Existe uma grande ameaça a essas populações não só pela fluorose severa, mas sobretudo por consumirem água sem tratamento, causando grande dano à saúde”, diz.


Poul Erik Peterson, da OMS

210 milhões bebem água com flúor no mundo

Segundo o Relatório Mundial de Saúde Bucal da OMS de 2003, o flúor é utilizado em escala global com grandes vantagens. Mais de 500 milhões de pessoas consomem creme dental com flúor, cerca de 210 milhões se beneficiam de água fluoretada e 40 milhões de pessoas têm acesso a sal enriquecido com a substância, enquanto 60 milhões de habitantes têm acesso a outras formas de administração do flúor, tais como aplicação tópica, enxágüe, tabletes e gomas

De acordo com Poul Erik Petersen, do Programa de Saúde Bucal da OMS, a água fluoretada é utilizada entre 10 e 15 países industrializados. A demanda por este tipo de serviço tem permanecido estável nos últimos anos.

 
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