SAÚDE BUCAL
Ponto de partida
Para decidir se qualquer intervenção em saúde deve ser implementada, ampliada ou descontinuada é recomendável proceder da forma mais abrangente possível uma avaliação dos vários aspectos relativos à tecnologia em questão. Em muitos países, inclusive no Brasil, foram implantados programas denominados Avaliação da Tecnologia em Saúde (ATS).
Tecnologia em saúde é um termo internacionalmente reconhecido que abrange qualquer método para promover a saúde, prevenir e tratar a doença e melhorar a reabilitação ou cuidados de longo prazo. “Tecnologia neste contexto não deve ser limitada a medicamentos ou novos equipamentos sofisticados, mas inclui procedimentos, gerenciamento, espaço físico e programas de rastreamento”, explica o professor de Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, Carlos Alfredo Loureiro.
De acordo com Loureiro, uma ATS deve ser precedida de análise da tecnologia em relação ao balanço entre efeitos benéficos e riscos de efeitos indesejáveis; das conseqüências para os pacientes, como sensação de segurança, impactos sociais e aspectos éticos; e efeitos sobre as organizações de saúde, sistema de saúde e ambiente. Também deve ser antecedida por uma avaliação de viabilidade econômica e das conseqüências para a sociedade como um todo, o chamado custo-oportunidade. Todos estes itens devem ser ponderados para se obter uma conclusão.
“Infelizmente não existe ATS para água fluoretada com o objetivo de avaliar e obter informação de pesquisa sobre a sua efetividade, custos e o seu impacto mais amplo para quem planeja, provê ou recebe este tipo de tecnologia no Brasil”, observa Loureiro. Como o Brasil é um país com um dos maiores contingentes populacionais expostos à fluoretação de água, é quase um imperativo realizar este tipo de avaliação sobre esta tecnologia, na opinião do especialista. Segundo ele, uma avaliação dentro do contexto atual teria condições de apontar a validade da recomendação da fluoretação da água para localidades no Brasil que atualmente não utilizam o método, mas que apresentam hoje níveis muito baixos de experiência de cárie, entre outras questões.
A fluoretação da água é uma das ações de promoção de saúde que apresenta enormes vantagens sobre outras, explica Loureiro. Trata-se, na opinião do docente, de uma medida populacional e, portanto, prescinde de decisão pessoal, produz efeito em todos os indivíduos expostos, inclusive nos de alto risco e em certas condições os benefícios são maiores do que os efeitos indesejáveis e ainda por cima, existem indicações da sua efetividade e eficiência. “Em razão do contingente populacional coberto e que se pretende cobrir com a fluoretação de água de acordo com as políticas públicas no Brasil é necessário monitorar melhor o uso da ATS no País”, conclui.
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