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CARREIRA
Do outro lado do balcão

Fabricantes e revendedores odontológicos abrem espaço para executivos com formação clínica

O pouco movimento e os baixos lucros fizeram a cirurgiã-dentista Renata Anbar trocar seu consultório e a perspectiva de uma especialização em Perio­dontia por um emprego extra como vendedora e, logo depois, como supervisora técnica numa dental. Isso foi em 2002 e, de lá para cá, essa escolha não intencional deu um rumo completamente diferente à carreira e à rotina de Renata. “Essa mudança profissional me apresentou uma vida bastante diferente do dia-a-dia do consultório. Considero meu trabalho superinteressante, conta­giante e no qual aprendo muito”, admite a profissional.

Atualmente, Renata trabalha como gerente internacional para a América Latina de uma fabricante de equipamentos odon­tológicos de origem norte-americana. O cargo deu à CD uma ro­tina bastante agitada, regada de viagens a países da América do Sul para desenvolver e controlar a implementação de estratégias, participar de congressos com distribuidores e interagir com acadêmicos e profissionais. Renata também vai freqüentemente aos EUA, para participar de reuniões e de programas de capacitação profissional e técnica e para conhecer novos produtos.


A CD, hoje executiva, Renata Ambar

Em São Paulo , onde mora, a profissional dá suporte e acompanha o trabalho de distribuidores. Como supervisora técnica, era responsável pelo treinamento da equipe, palestras para os dentistas, atendimento ao cliente, organização de cursos, entre outras atividades.

Ela acredita que as oportunidades para os cirurgiões-dentistas na área comercial vêm aumentando, principalmente por dois motivos: o saturado número de profissionais atuando na área clínica e a necessidade de se ter dentro das empresas alguém com bastante conhecimento em Odontologia. Mas ela ressalva que já existe concorrência na área. “O cirurgião-dentista está descobrindo este outro ‘braço' da profissão e a cada dia cresce o número dos que trabalham em empresas odontológicas.”

Sobre os conhecimentos e habilidades específicas que o CD deve ter para atuar no mercado, a profissional destaca o trabalho em equipe, vontade de aprender, iniciativa e organização, além do domínio de língua estrangeira, como inglês e espanhol.

Depois que entrou para a área comercial, a cirurgiã-dentista se esforçou para conciliar a clínica com a sua atuação na empresa. Entretanto, no fim de 2005, venceu a executiva, e ela deixou o consultório. Se pretende voltar? “Não sei dizer. Só sei que adoro meu trabalho, agradeço muito pelas oportunidades que tive e quero seguir crescendo profissionalmente.”

Do consultório para o escritório


CD-empresário Marcelo Ramos

O prazer em trabalhar com Gestão e Marketing surgiu no cirurgião-dentista Marcelo Ramos também por acaso. Durante a graduação, ele participou da Associação Atlética da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) e desempenhou atividades como coordenação de equipes, elaboração de projetos, promoção de eventos, entre outras. Mesmo se interessando por essa área, Ramos seguiu o caminho natural depois de formado: trabalhou no serviço público, foi sócio de clínica odontológica, fez especialização e outros cursos. Até que em 1998 terminou a pós-graduação em Marketing e começou a trabalhar como consultor empresarial numa empresa de qualificação e assessoria em saúde.

A partir daí ele não parou mais. Trabalhou como coordenador de Marketing e supervisor de vendas em empresas farmacêuticas e odontológicas e deixou de clinicar em 2000. Até agosto deste ano, atuava como

gerente de vendas e produtos de um fabricante de instrumentos odontológicos.

Ramos dava suporte comercial e técnico às equipes de venda, participava no desenvolvimento das promoções, estruturava e supervisionava o trabalho da empresa em eventos e colaborava com o plano estratégico de Marketing.

Segundo Ramos, esse novo caminho para o CD é bastante competitivo, pois as empresas sempre buscam ser mais eficientes, otimizar seus gastos e oferecer mais qualidade.

Assim, a pressão sobre o profissional acaba sendo grande e é preciso ter uma postura bastante madura, objetiva e determinada. Apesar da competitividade, ele completa que as oportunidades para cirurgiões-dentistas na área estão crescendo. “O importante é ter adequada formação profissional, desenvolver uma carreira com respeito ao mercado e aos colegas e entender que é um segmento menos emocional.”

Ramos saiu da empresa para tocar seu próprio negócio, uma agência de comunicação especializada na área de saúde. O profissional acredita que a opção pela vida de empresário em detrimento da clínica foi bastante acertada. “Entre as duas carreiras existe uma grande distância e a reconstrução profissional foi difícil e progressiva. Ter prazer no que se faz é um dos alicerces do sucesso e a Odontologia é uma profissão lucrativa e promissora, desde que bem conduzida.”

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