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P E S Q U I S A

Boca biônica
Quando pronto, equipamento deverá testar a resistência ao desgaste dos materiais dentários em condições bastante parecidas com as da cavidade bucal

Reproduzir as condições do meio bucal e os movimentos de mastigação - fechamento e deslizamento – para testar a resistência ao desgaste dos materiais dentários em condições bastante parecidas com as in vivo é o que busca a cirurgiã-dentista Juliana Antonino de Souza, mestre e doutoranda em Biomateriais pelo PEMM. Isso deverá ser possível com o desenvolvimento de um novo equipamento que possibilitará o controle da carga aplicada ao material, do meio bucal e seu pH, usando uma saliva artificial, da velocidade e número de ciclos, entre outros parâmetros.

O projeto é realizado por Juliana, bolsista do CNPq, e por seu orientador, o físico e professor titular da instituição, Sérgio Camargo, no Laboratório de Recobrimentos Protetores. A experiência também contará com o apoio de profissionais da Engenharia e Robótica.

Segundo a pesquisadora, o estudo está ainda em fase inicial. O primeiro passo é o levantamento bibliográfico dos testes existentes no mercado para identificar o que é preciso aperfeiçoar, como a amplitude e a freqüência da mastigação adotada, entre outros fatores.


CD Juliana Antonino de Souza

Juliana e colaboradores vão desenvolver uma máquina de ensaios inédita no Brasil para realizar testes de desgaste dos materiais dentários contra outros de igual ou diferente natureza - por exemplo, resina com resina, ou resina com cerâmica. Esse novo equipamento deverá suprir a necessidade da pesquisa, do desenvolvimento de materiais e de empresas do setor.

Para Juliana, a condução deste ensaio é bastante relevante para a pesquisa em biomateriais. “A avaliação do desgaste é de suma importância quando se trata da escolha do material mais apropriado a determinado caso clínico, além de contribuir para conhecer outros aspectos relacionados às suas propriedades”, explica. As resinas devem ter seu desgaste testado e certificado também por serem um material novo e que está substituindo o amálgama.

O interesse em conhecer melhor as propriedades mecânicas,

físicas e térmicas dos materiais odontológicos foi justamente o que levou a cirurgiã-dentista a escolher essa área de pesquisa. “Hoje me sinto muito mais segura quando falo dos materiais dentários e sei que nem tudo que está escrito na bula deles é 100% verdadeiro”, afirma.

Estudos complementares

A pesquisa de mestrado de Juliana, também realizada no PEMM, funcionou como um estudo prévio e de grande valia para o desenvolvimento do equipamento no doutorado. Nela, a CD estudou os mecanismos de desgaste das resinas compósitas em duas máquinas diferentes e depois comparou os processos. “Em uma das máquinas, que realiza testes de desgaste linear alternado e que foi utilizada pela primeira vez para materiais dentários, desenvolvemos toda a metodologia empregada, como a quantidade de carga, o número de ciclos, o meio, entre outros”, esclarece.

Esse equipamento, também desenvolvido na Pós-graduação em Engenharia da UFRJ, foi o que mais se assemelhou ao meio bucal. Assim, seus parâmetros e características mais relevantes estão sendo estudados e aprimorados, e servirão de base para o desenvolvimento da nova metodologia no doutorado.

Atualmente, Juliana dedica-se integralmente à pesquisa, que deve ser finalizada até 2010. Depois disso, ela pretende continuar na pesquisa, na área acadêmica, ou trabalhar em alguma empresa odontológica como consultora ou pesquisadora.


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