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P E R I O D O N T I A
Mente sã, dente são


CD Roberto Lotufo
Recente estudo realizado no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) pela mestre e doutora em Periodontia Ana Cristina Solis avaliou as condições periodontais de pacientes portadores de transtorno depressivo maior (TDM). O grupo de indivíduos não demonstrou diferença nas condições periodontais quando comparado a um grupo controle. Porém, os indivíduos portadores de TDM demonstraram piora nas condições periodon- tais após o tratamento medica- mentoso com antidepressivos. “Esta piora, provavelmente, se deve a efeitos colaterais destes medicamentos, sendo que o principal para a cavidade bucal é a xerostomia, o que pode levar a alterações na defesa do organismo contra as bactérias presentes no biofilme microbiano”, explica o orientador da pesquisa, o professor assistente doutor de Periodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) e presidente da Sociedade Brasileira de Periodontologia (Sobrape), Ro- berto Fraga Moreira Lotufo.

Estes pacientes devem ser tratados da maneira convencional, com algumas particularidades. O primeiro passo é fazer uma anamnese bem cuidadosa. Lotufo esclarece que é importante saber que tipo de medicação o indivíduo está tomando e procurar, através da bula, possíveis efeitos colaterais, ou interações medica- mentosas com outras drogas que porventura tenham que ser utilizadas. Para pacientes que tomam medicações que diminuem o fluxo salivar, é necessário o controle rigoroso do biofilme mi- crobiano. Além disso, a aplicação tópica ou em boche- chos de flúor é essencial para que o paciente não tenha recidiva da cárie ou da doença periodontal. “Caso o profissional tenha dúvida quanto à condução do tratamento, o contato com o responsável pelo tratamento psiquiátrico é recomendável”, orienta o docente.

Regeneração tecidual ainda deve demorar

Os pesquisadores têm buscado técnicas de tratamento que restituam os tecidos perio- dontais perdidos pela ação da doença periodontal. Lotufo , no entanto, ressalva que alguns biomateriais e fatores de crescimento têm sido empregados com este fim, mas, até o momento, estas técnicas regenerativas não demonstraram resultados significativos e as indicações são muito limitadas. “Métodos de tratamento baseados no controle da infecção, são, por enquanto, os mais previsíveis”, avalia o especialista.

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