S A Ú D E I N T E G R A L
Danos dentais comparados
Estudo compara os prejuízos dentais causados pela bulimia nervosa e o clareamento dental e orienta CDs sobre o procedimento a ser adotado

CD Adriana Junqueira |
A pouca quantidade de estudos que relacionam a bulimia nervosa e Odontologia e a falta de conhecimento de muitos profissionais sobre os problemas que a doença causa nos dentes fez com que a cirurgiã-dentista Adriana Junqueira desenvol- vesse, no curso de mestrado em Dentística da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, a pesquisa Avaliação In Vitro da Dureza do Esmalte Dental Submetido a Tratamento Clareador e/ou Simulação de Bulimia. “É importante que as pessoas saibam que a doença também causa problemas nos dentes, como a erosão, e os cirurgiões-dentistas devem ajudar no seu diagnóstico precoce”, ressalta a CD.
A idéia da associação entre transtorno alimentar e clarea- mento dental partiu de sua orientadora, a doutora em Materiais Dentários Adriana Carvalho, por serem dois pro- cessos geradores de erosão dental e pela grande busca atual pela estética.
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Para a pesquisa, concluída em 2006, foram utilizados 30 corpos de prova (3º molares totalmente inclusos) para simulação de bulimia - especi- ficamente o processo de regurgitação do suco gástrico - e de clareamento caseiro com peróxido de carbamida a 10%, asso- ciados ou não. Então, foi verificada a dureza do esmalte, no início, após 14 dias e no fim do tratamento, para avaliar a erosão causada.
A conclusão tirada pelas pesquisadoras é que a erosão dental causada pela bulimia é significantemente mais severa que pelo clareamento, viabilizando o procedimento estético nos pacientes bulímicos, já que ele não piora os danos dentais causados pela doença. “Tentamos orientar e informar o cirurgião-dentista sobre o que pode e o que não pode ser realizado no tratamento odon- tológico do paciente que sofre do transtorno”, diz a orientadora.
Adriana Junqueira agora se prepara para colocar o estudo em forma de artigo para publicá-lo e continuará na mesma linha de pesquisa no doutorado, que já foi iniciado. Experiência vivida
As duas pesquisadoras levaram para o estudo in vitro o que observaram na prática da clínica: pacientes bulímicas que sofreram sérios danos bucais em decorrência da doença. “Tive contato com uma paciente de 46 anos e que era portadora de bulimia há 16 anos. Ela nunca havia procurado tratamento médico e, depois de uma longa conversa comigo, hoje está fazendo tratamento com psicoterapeuta. Ela teve uma erosão severa em todos os dentes, perdeu a dimensão vertical e a estética está comprometida”, conta Adriana Junqueira.
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