IMPLANTODONTIA
Uma ciência em evolução
Os últimos avanços tecnológicos em Implantodontia aconteceram para dar mais segurança e previsibilidade aos tratamentos, oferecer benefícios aos pacientes e estender a aplicação do implante a mais pessoas



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Procedimentos mais seguros, mais rápidos e menos invasivos, resultados mais previsíveis e altamente estéticos. Estas são algumas das principais e mais recentes mudanças por quais tem passado a Implantodontia, possibilitadas por avanços em protocolos, técnicas e biomateriais. “Ao longo dos anos, as grandes mudanças foram no sentido de melhorar a habilidade cirúrgica e, principalmente, de otimizar a estética final dos casos. Hoje, sem dúvida, o resultado é muito melhor do que antes, com a evolução das técnicas de laboratório”, avalia o doutor em Implantodontia e especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Laércio Vasconcelos.
A evolução da ciência consolidou a Implantodontia como a mais eficaz, segura e preventiva alternativa para reabilitar um paciente que sofreu qualquer tipo de perda dental. “A Implantodontia vive um grande momento, como ciência e modalidade terapêutica. Dentre as possibilidades para a reposição de um ou mais dentes perdidos, o implante é a que melhor se relaciona com qualidade de vida e bem-estar, tanto do paciente como do profissional”, defende o doutor em Reabilitação Oral César Augusto Arita, também membro da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral (SBRO). |
Up-to-date: implantes tradicionais e os variantes para ancoragem ortodôntica e zigomático |
A especialidade também ampliou seu espectro de indicação, com tratamentos conduzidos de forma mais ágil e simples, e, consequentemente, levando mais pacientes aos consultórios. O implantodontista e mestre em Odontologia Aziz Constantino completa que os procedimentos aperfeiçoados de instalação de implantes e de enxertos viabilizaram a reabilitação de casos muito complexos e desfavoráveis, com resultados satisfatórios. Uma possibilidade clínica cada vez mais divulgada é a ancoragem no osso zigomático, indicada para pacientes com maxila atrófica que não podem ou não querem receber enxerto ósseo. As técnicas também evoluíram para que seja necessário menor número de implantes para a reabilitação, trazendo vantagens para profissionais e pacientes, conforme lembra Arita.
Já o especialista e mestre em Implantodontia e professor de Histologia da Universidade Federal do Espírito Santo, Norberto Francisco Lubiana, coloca nas pesquisas científicas a maior contribuição para se chegar à evolução alcançada pela especialidade. “Hoje temos como evitar os erros que eram cometidos no passado. A distância que devemos manter entre um implante e o dente natural ou de um implante para outro, preservando o suporte ósseo e consequentemente a altura dos tecidos moles, é um dos fatores primordiais uma estética mais apurada”. Para Lubiana somente bons materiais, usados sem o conhecimento científico adequado, podem levar a resultados insatisfatórios, tanto em relação aos aspectos funcionais quanto aos estéticos.
A maior interação com a Ortodontia é uma característica recente da Implantodontia com os miniimplantes para ancoragem ortodôntica, fixados na lateral da gengiva para auxiliar o tratamento. Estas peças também podem ser usadas para realizar pequenos movimentos na arcada de pacientes de reabilitação.
Rápido antes, durante e depois
Algumas das mudanças mais significativas na Implantodontia estão relacionadas ao tempo de duração do procedimento e de espera do paciente para ter o resultado final. “Havia um protocolo de atendimento que exigia um período de espera para osseointegração, em que os pacientes eram obrigados a tolerar por um bom tempo suas próteses, que nem sempre ofereciam conforto. Na verdade, só contávamos com os benefícios dos implantes depois de concluída esta fase”, observa o doutor em Implantodontia e Professor Titular da especialidade da Universidade Tuiuti do Paraná, Geninho Thomé.
A maior rapidez na conclusão dos tratamentos foi permitida, segundo Thomé, pelo desenvolvimento técnico dos implantes, que chegou a novos desenhos e tratamentos de superfície, pelas possibilidades de diferenciação no processo cirúrgico e pelo melhor conhecimento das respostas biológicas em osseointegração. Estes avanços possibilitaram chegar à carga ou função imediata: a instalação da prótese logo após a colocação do implante. “Posteriormente, também foi possível instalar os implantes em seguida às extrações dos dentes, realizando toda a reabilitação oral em um único dia”, diz o especialista.
Para o implantodontista Constantino, a carga imediata é um procedimento cientificamente seguro e seus parâmetros gerais são conhecidos entre os profissionais. Ele completa: “O fundamental é garantir que o parafuso, mesmo submetido à força da mastigação imediatamente após sua instalação, não atinja uma micromovimentação acima de um determinado espectro. E existem formas técnicas e tecnológicas para obter esta imobilidade”.
Mas, como é comum a muitos procedimentos clínicos, a técnica apresenta indicações e contra-indicações. Laércio Vasconcelos não indica a carga imediata para todos os casos, como em algumas reabilitações totais da maxila, nos casos parciais e nos unitários, nos quais a estética é muito importante. “A carga imediata, quando mal indicada, pode trazer sérias complicações tanto para o profissional como para o paciente. Além disso, é indicado que um cirurgião-dentista em estágio avançado de cirurgia e prótese realize o procedimento”, diz o especialista.
Para o implantodontista e professor Norberto Lubiana, a carga imediata é confiável, é uma realidade, mas deve ser bem planejada. Em casos que envolva uma estética apurada, ele evita o uso deste procedimento. Segundo ele, o trabalho de manipulação e adaptação dos tecidos moles, buscando as características estéticas ideais só são conseguidas com tempo e paciência e a técnica imediata deixa muito a desejar nestas situações.
O doutor em Periodontia Jamil Awad Shibli também chama atenção para alguns cuidados necessários: “As condições periodontais, ósseas e oclusais dos dentes adjacentes devem ser minuciosamente observadas durante o planejamento cirúrgico-protético, atendo-se ainda, ao travamento primário do implante durante a inserção”.
O desenvolvimento tecnológico em Implantodontia também buscou procedimentos menos invasivos, com planejamento detalhado e maior previsibilidade. Assim, chegou-se aos protocolos de cirurgias guiadas, baseadas em imagens radiológicas mais apuradas, como as da tomografia computadorizada, e em modelos prototipados que orientam e agilizam o procedimento de instalação dos implantes. Estas são técnicas bastante atuais em Implantodontia e ainda pouco difundidas entre profissionais e pacientes. Os ganhos obtidos com este novo processo estão no maior conforto para o paciente, durante e no pós-cirúrgico, e nos parafusos implantados de maneira bastante precisa, depois de planejados virtualmente.
| Os entrevistados: |

Jamil Shibli |

José Cícero Dinato |

Carlos E. Francischone |

Mario Groisman |

Willian Frossard |

Prof. P. I. Brånemark
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Fortes raízes científicas
Apesar dos significativos progressos em técnicas e biomateriais por quais a Implantodontia vem passando nos últimos anos, sua base continua sendo o princípio da osseointegração com titânio, descoberto em 1965 pelo médico sueco P.I. Brånemark, considerado o pai da Implantodontia moderna. “Atualmente, mesmo com o desenvolvimento de várias técnicas, os princípios preconizados por P.I. Brånemark continuam norteando todas as reabilitações com implantes osseointegrados”, diz Laércio Vasconcelos, também diretor do Brånemark Osseointegration Center (BOC) – São Paulo.
Ele exemplifica que técnicas hoje em voga e consideradas inovadoras, como os implantes inclinados, curtos, ou zigomáticos, implantados de diferentes formas, já tinham sido feitas por Brånemark e colaboradores há muitos anos. As diferentes superfícies dos implantes, uma das grandes evoluções atualmente, foram testadas pelo pesquisador sueco já no início de seus estudos, mas não da mesma forma como elas são confeccionadas hoje. |
“Quem convive com o dr. Brånemark, como é meu caso, muitas vezes, ao conversar com ele sobre ‘modernidade', se surpreende com seus relatos clínicos sobre o que ele já realizou há muitos anos. A carga imediata, por exemplo, com grande repercussão nos últimos 10 anos, já era estudada por Brånemark e Richard Skalak há 30 anos e eles já sabiam de seu êxito.” O especialista conta que os pesquisadores não divulgaram esses estudos precocemente, pois acreditavam que a Implantodontia precisava se firmar como um tratamento de sucesso antes de empregar técnicas mais avançadas.
Desde 2005, Brånemark vive em Bauru, no interior do Estado de São Paulo, onde fundou o Instituto P-I Brånemark, que desenvolve pesquisas em osseointegração e realiza cirurgias de reabilitação intra e extra-oral e de amputados. Oitenta por cento dos atendimentos realizados no Instituto não têm custos para os pacientes.
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