IMPLANTODONTIA
Implantodontia tupiniquim

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O Brasil é um dos poucos países que reconhecem a Implantodontia como especialidade. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), são mais de dois mil profissionais especializados atuando em todas as regiões do País, formados por 62 cursos de Especialização em Implantodontia oferecidos pelas ABOs e por outras entidades de classe e mais 83 por instituições de ensino superior. Estes dados apontam para o lugar de destaque que o implantodontista brasileiro tem em relação aos profissionais de outros países. “No mundo todo, a maior parte dos implantes é feita por clínicos gerais, que obtêm seu treinamento através dos mais variados tipos de curso. Atribuo à formação acadêmica do implantodontista brasileiro a responsabilidade por tanto prestígio”, afirma o especialista Aziz Constantino. |
Sobre o aspecto de qualidade dos cursos, Lubiana, que atualmente ocupa o cargo de presidente da ABO Nacional, uma das maiores preocupações das ABOs é o de padronização dos cursos, seguindo rigidamente as normas do CFO, com respeito total à carga horária, conteúdo e qualificação do corpo docente, garantindo um nível de excelência na formação dos especialistas.
Já Carlos Eduardo Francischone, diretor do Brånemark Osseointegration Center (BOC) – Bauru (SP), preocupa-se com a quantidade de novos cursos de Implantodontia no País. “A grande oferta pode trazer conseqüências negativas como programas sem estrutura curricular adequada e pessoal incapacitado para ministrar cursos de excelência”, pondera. Segundo o implantodontista César Augusto Arita, o mérito é todo dos profissionais, que “desbravaram este campo quando não havia professores, consolidaram a Implantodontia como especialidade, formaram gerações de especialistas e, mais importante, formaram novos professores e desenvolveram filosofias que atraíram para o Brasil a atenção da comunidade científica mundial”. Ele deixa um recado para a nova geração de implantodontistas brasileiros: “A Implantodontia foi a especialidade que mais cresceu nos últimos anos em todos os contextos – científico, social, cultural, didático e econômico. Posso afirmar, sem nenhuma dúvida, que temos inúmeros profissionais nesta área que servem de referência para a Odontologia mundial. Isto aumenta a nossa responsabilidade em cuidar desta especialidade e dos valores e critérios que a norteiam.”
O especialista e professor da UFRGS José Cícero Dinato cita o Instituto Brånemark, centro onde várias equipes de países como Suécia, EUA, Chile e Espanha comparecem para tratar de pacientes, quase sempre gratuitamente, para demonstrar a grandiosidade do Brasil no cenário da Implantodontia mundial. Ele lembra que foi o próprio prof. P.I. Brånemark, quem escolheu o Brasil para sediar o Instituto.
Para ser um bom implantodontista
Mario Groisman, mestre em Periodontia pela Universidade de Lund, na Suécia, compartilha a opinião dos colegas quanto ao prestígio da Implantodontia do Brasil mundo afora, e atribui à qualidade do profissional brasileiro um fator que ele julga fundamental: compromisso profissional. E cita que a World Conference de Las Vegas, neste ano, que reuniu oito mil participantes de todo o mundo, teve entre os palestrantes um grupo considerável de profissionais do Brasil (Adauto de Freitas Jr., Andrea Cury, Dario Adolfi, José Cícero Dinato, Carlos Eduardo Francischone, além de Groisman), provando que o reconhecimento internacional da Implantodontia brasileira tem crescido de maneira exponencial.
Compromisso e preparo também são indicados como a chave do sucesso por César Augusto Arita. “Além de uma formação sólida, através de cursos de excelência, o profissional deve estar inserido em um programa de atualização constante e ter compromisso com a qualidade de seus serviços”, enfatiza. Ele destaca algumas atribuições que, em sua opinião, um bom implantodontista precisa ter: “Estudar sempre, pelo menos uma vez ao dia ler algo sobre Odontologia; ter uma visão global do sistema estomatognático, conseguindo discernir os pontos fortes de atuação da Implantodontia e a necessidade de interação e simbiose com demais especialidades; e reunir conhecimentos que permitam ter uma visão funcional e estética do caso em questão, antes mesmo da instalação dos implantes”.
No mercado de trabalho, José Cícero Dinato e Carlos Eduardo Francischone apontam o planejamento como responsável pelo sucesso do implantodontista. “Um bom planejamento resulta em um ótimo resultado, seja na Implantodontia, Odontologia em geral e na vida. É necessário buscar o máximo de informações antes de iniciarmos qualquer procedimento e um protocolo básico de trabalho deve ser estabelecido”, aconselha Dinato. “É preciso assegurar a saúde bucal do paciente tratando cáries, doenças periodontais, lesões apicais e disfunções articulares antes de se iniciar qualquer procedimento cirúrgico envolvendo implantes”, diz. Francischone concorda com o colega e enfatiza que o planejamento integrado é a chave do sucesso para a reabilitação osseointegrada. “Dessa forma, os planejamentos devem ser feitos incluindo a Implantologia como mais uma especialidade dentro da rotina reabilitadora” aconselha.
A visualização tridimensional do dente a ser reabilitado, para Dinato, é outro fator determinante para o sucesso com implantes, “pois a simples ancoragem de uma fixação no osso não determina, muitas vezes, o sucesso do procedimento, e pode até ser causa de um grande fracasso”. O implantodontista justifica o cuidado com um alerta: “É preciso atentar para a forma leviana e pouco séria com que alguns profissionais vêm tratando esta especialidade que, sem dúvidas, mudou a Odontologia e a vida das pessoas que se beneficiaram da boa técnica”.
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