IMPLANTODONTIA
A arte final do sorriso


Obra de arte: implante colocado e coroa cimentada sobre ele

Aperfeiçoando a natureza: antes e depois de...

..paciente submetido à colocação de facetas
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O sorriso é festejado como um dos maiores atrativos da personalidade. Por isso, não são raras as pessoas dispostas a investir tempo e dinheiro para melhorá-lo. A demanda do mercado é retroalimentada pela acadêmica: no Brasil, são mais de 80 cursos de Especialização em Prótese Dentária. E o País ainda conta com um diferencial: os profissionais de prótese brasileiros têm se preocupado tanto com aspectos funcionais do dente, como a mastigação, quanto com o visual do material.
O especialista em Prótese Dentária William Frossard, coordenador e professor do curso de Prótese Dentária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que “o sorriso apresenta claramente três componentes: os dentes, os lábios e a gengiva”. Entretanto, ele chama a atenção para outros elementos menos evidentes, como tamanho, equilíbrio de cores, textura e translucidez do elemento dentário. “Tanto a estética dental como a gengival atuam em conjunto para proporcionar um sorriso com harmonia e equilíbrio. Um defeito nos tecidos circundantes não pode ser compensado através da qualidade da restauração, e vice-versa. Portanto, na Odontologia atual, é fundamental que a busca por um ‘sorriso perfeito' tenha uma abordagem multidisciplinar: Ortodontia, Periodontia, Implantodontia, Cirurgia, juntamente com a Prótese Clínica e Laboratorial”, orienta.
Frossard defende que outro elemento – para ele, o mais importante – também seja levado em consideração pelo profissional: o paciente. O cirurgião-dentista precisa ser capaz de interpretar adequadamente os anseios de quem está sendo atendido e, quando o paciente é incapaz de entender a impossibilidade de satisfazer seus desejos, é melhor não realizar o tratamento, ressalta o protesista.
As novas tecnologias em prótese, depois de pesquisas, entram na rotina clínica, indo ao encontro das necessidades da reabilitação oral. Assim aconteceu com as facetas laminadas de porcelana, que nos anos 80 passaram a ser mais usadas, indicadas para os dentes anteriores, comprometidos estética ou funcionalmente, sendo um procedimento conservador quando comparado às próteses convencionais. “Este tipo de metodologia, portanto, permite a modificação da forma, posição e cor dos dentes, originando efeitos significativos no sorriso”, explica Frossard.
As facetas laminadas, de grande longevidade e durabilidade, são utilizadas rotineiramente hoje com alto grau de sucesso clínico, inclusive em pré-molares. |
Entretanto, em situações clínicas que necessitam de métodos mais invasivos, com recobrimento total dos elementos dentários, as coroas em metalo-cerâmica ainda são uma boa opção. Mas as subestruturas metálicas tendem a ser problemáticas esteticamente. Para esse inconveniente, Frossard sugere que a cor do metal seja bloqueada, apesar de admitir que o processo é dificultado nas áreas de margem e de pouca espessura de porcelana. Além disso, o especialista lembra que a translucidez da restauração é fortemente reduzida por essa subestrutura. “Pensando nisso, foi desenvolvida uma técnica que combina subestrutura metálica com margens de porcelana. O técnico deve reduzir o coping metálico de forma a permitir espaço para margens totalmente cerâmicas”, orienta. Assim, partir do final dos anos 80 e início dos 90, foram introduzidas no mercado as coroas livres de metal, como IPS Empress, In Ceram, Cerec, Procera, Cercon e Lava, entre outras. Segundo Frossard, o IPS Empress é uma cerâmica feldspática reforçada por leucita com boas propriedades mecânicas e visuais. Já o sistema In-Ceram faz uso de munhões aluminizados infiltrados por vidro para alcançar maior resistência, sendo indicado para a confecção de coroas totais anteriores e posteriores e próteses fixas de três elementos para a região anterior até pré-molar. O sistema In-Ceram Spinell utiliza uma mistura de alumina e magnésia, o que torna a infra-estrutura mais translúcida, sendo indicado para coroas totais anteriores, inlays e onlays.
O Procera é baseado no sistema CAD/CAM, que, através de um “scanner” de troquel e um computador, converte as informações digitalizadas em imagens tridimensionais. Após o processamento dos dados, é possível, por meio de um software específico, trabalhar sobre esse preparo definindo suas margens e espessuras. Este sistema consiste na produção industrial de copings de óxido de alumínio, puro e sinterizado. O processo de sinterização produz uma superfície livre de poros e extremamente resistente.
Desenvolvido também através do sistema CAD/CAM, a cerâmica de óxido de zircônia é o mais recente e promissor material disponível no mercado. A zircônia é um material com excelente biocompatibilidade, que apresenta vantagens, como baixa condutibilidade térmica e menor colonização bacteriana em relação a outras cerâmicas. Além disso, sua opacidade não impede que apresente propriedades óticas favoráveis, sendo capaz de mascarar núcleos metálicos e dentes escurecidos e conseguir uma estética adequada. Por todas essas qualidades, Frossard a indica para restaurações unitárias, prótese parcial fixa, prótese adesiva, núcleos intra-radiculares e implantares, entre outros.
Apesar da ampla indicação e qualidade das próteses dentárias, o especialista pondera: “O tratamento mais moderno que existe em Odontologia é a prevenção, juntamente com os cuidados de higiene e manutenção profissional. A melhor prótese do mundo, feita pelo melhor dentista, não é melhor do que os nossos dentes naturais”. Ele ainda diz se alegrar com o fato da Prótese ocupar um lugar de destaque dentro da Odontologia atual. Mas alerta que, “em prol da estética, não deve haver detrimento da ética”. A declaração é mais do que um trocadilho. “Respeitar o que é natural consiste em tarefa extremamente difícil e trabalhosa e, como ocorre na maioria dos casos, o conceito estético do paciente nem sempre se aproxima do que é natural”, declara Frossard.
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