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REVISTA ABO
ABO MAGAZINE


Registrando a história

Quando foi lançada, em junho de 1993, a Revista ABO Nacional, com projeto profissional e design moderno e caprichado, revolucionou e empurrou para a modernidade todas as demais publicações do setor. Ao mesclar a publicação da produção científica brasileira com reportagens especiais sobre temas de interesse do CD e assuntos socioculturais iniciou um caminho que hoje é referência no mercado editorial odontológico. Para comemorar os 15 anos desta jovem, porém madura publicação é traçada nesta edição uma linha do tempo deste período. Coincidentemente, o desenvolvimento e a atuação da Associação Brasileira de Odontologia teve um salto significativo nesta fase, retratada também nas páginas da revista. Mais do que uma publicação, a Revista ABO Nacional é uma parte importante da história da ABO e da Odontologia, que está escrita ao longo destas 84 edições

Zaíra Barros – Editora

Durante 15 anos a Revista ABO Nacional tem contado não só a história da Odontologia, mas também a trajetória da saúde bucal brasileira, da entidade e da profissão do cirurgião-dentista, ao lado da publicação da produção científica dos pesquisadores nacionais neste setor.

A revista é registrada no International Standard Serial Numbers (ISSN) sob número 0104-3072, que a coloca no catálogo internacional de publicações seriadas.

Ao ser lançada, em julho de 1993, durante o XI CIORJ, no Hotel Nacional, Rio de Janeiro, a publicação já tinha traçado seu perfil e a ABO comemorava algumas vitórias. Na apresentação da revista, assinada por Pedro Martinelli, presidente da entidade e da publicação àquela época, assinalava: “A ABO Nacional sempre esteve consciente de sua obrigação de colocar à disposição da classe odontológica um veículo de informação científico-cultural que, ao mesmo tempo em que levasse informações técnicas atualizadas ao profissional, também abrisse espaço para a discussão de temas ligados à saúde bucal da população brasileira”. E mais: “ Concretiza-se, agora, um sonho de 44 anos, que traz à realidade outras conquistas da classe, como o entrosamento entre o setor e a iniciativa privada, a consolidação do Jornal ABO Nacional, a internacionalização da Odontologia brasileira.”.

Estas palavras, gravadas no editorial do número 1 da revista, exibiam a base que norteou todo o trabalho de divulgação científica da ABO, aperfeiçoada ao longo dos anos, em um trabalho árduo e contínuo aprendizado.

Como um caminho previamente traçado, realmente a Odontologia brasileira alçou vôos mais altos e hoje ocupa lugar de destaque no cenário internacional – inclusive com um candidato ao cargo de presidente eleito da FDI – e a entidade

tem estado para par com as demais instituições que se mobilizam em prol de justiça social e outras reivindicações de cidadania da sociedade.

Résume - ABO MAGAZINE

When the National ABO Magazine was launched, in June 1993, with a professional project and modern and perfected design, it shook up and pushed forward to modernity all other sector's publications. Mixing the publication of Brazilian scientific production with special reports about topics of interest to dentists and also socio-cultural matters, it opened a pathway that is, nowadays, a reference to the dentistry editorial market. To celebrate the 15th year of this young but mature publication, in this edition a timeline of this period is delineated. Coincidentally, the development and actions of the Brazilian Dental Association had a significant leap in this phase, also depicted on the magazine's pages. More than a publication, the National ABO Magazine is an important part of the ABO and Dentistry history that has been written during its 84 editions, up to now.


De volta ao passado

Assim, dentro dos critérios enunciados de discussão de temas importantes na Odontologia, já a primeira edição, histórica e esgotada, trazia como capa cerdas de escovas chamando para o artigo científico sobre avaliação de alguns produtos no mercado nacional, outros quatro assuntos técnicos e mais cinco reportagens. Entre elas, uma sobre ISO 9000, outra sobre o sal fluorado, mais uma tratando da relação alimento e cárie dental. Foi publicada nessa edição também a primeira de muitas matérias sobre ações na comunidade, uma entrevista com o gol de placa Raí e um artigo assinado pelo prof. Mário Chaves, que dispensa qualquer apresentação.

A esta edição número 1 seguiram-se outras 83 capas, levando o total, até hoje, de 5.376 páginas com informações diri­gidas ao cirurgião-dentista. São mais de 500 artigos científicos e outro tanto de matérias diversas, sempre tendo como foco a profissão, o CD e a saúde bucal da população.

O primeiro ano de vida da publicação teve alguns pontos de destaque. O primeiro deles, a edição 3, de dezembro de 1993, com quatro artigos científicos e matéria de capa sob o nome de Raio x da Odontologia no Brasil, foi um best seller: foram pesquisadas mais de 500 páginas de documentos e feitas entrevistas com técnicos do Ministério da Saúde, da então Divisão Nacional de Saúde Bucal, IBGE, SUS e entidades do setor. Faculdades, professores e profissionais recorreram à edição em busca de dados por um longo período. Na número 5 foi a vez da arte de Manabu Mabe, com entrevista com o pintor e capa exibindo auto-retrato famoso do artista, cumprindo a missão de levar também informação cultural ao cirurgião-dentista.

Ao completar seu primeiro ano, a sexta edição a Revista ABO Nacional reforça a inovação de suas capas e conteúdos, trazendo belas fotos e reportagem sobre indígenas do Xingu inseridos em programa de saúde bucal. Este número chegou a ficar entre as selecionadas do Prêmio Aberje, fato inédito por se tratar de uma publicação técnica. Foi um árduo caminho construído durante os primeiros 12 meses da revista, com afinco e primando pela qualidade dos 36 artigos científicos e 38 matérias publicadas.

E foi o nível da revista, sua abrangência e conteúdo que levaram uma empresa multinacio­nal, com sede também no Brasil, a escolher a Revista ABO Nacional como veículo para a edição especial comemorativa aos seus 60 anos.

Firmava-se, então, a parceria com entidades privadas, que viam na revista o caminho ideal para expor resumos de trabalhos premiados no Caderno Científico, patrocinado por outra grande empresa do setor. Concretizava-se, assim, o entro­samento entre o setor e a iniciativa privada, citado no editorial da primeira edição. 

De olho no mundo

O período de 1993/1994 foi apenas um, seguido de mais 14 anos dedicados a bem informar a classe odontológica. Aos poucos a publicação foi se adaptando às exigências e aos interesses dos leitores, iniciando uma série de reportagens que abriu as portas da Odontologia mundial para os CDs brasileiros, trazendo experiências e testemunhos de locais tão diferentes como Cuba e Hong Kong, Coréia, China e Canadá. Opiniões, como a de Makoto Nakao, então presidente da poderosa International Dental Manufacturers (IDM), dividiram espaços com renomadas personalidades brasileiras e temas atuais, indo do combate ao estresse à preservação do meio ambiente, além dos temas específicos de Odontologia. Um dos mais respeitados pesquisadores do mundo, Ivar Andreas Mjor, e o prof. Flávio Fava de Morais são apenas dois dos nomes que concederam entrevistas à Revista ABO Nacional nesse período.

Em 1995 assumia a presidência da ABO o prof. Henrique Teitelbaum, do Rio Grande do Sul, que, além de dar continuidade à revista, priorizou a publicação de artigos científicos em maior quantidade. Ele endossou as palavras de Martinelli, que afirmava em seu último editorial como presidente da ABO e eleito para a Presidência da Federação Odontológica Latino-americana (Fola), para o período 1995-1998: “A Revista ABO já é um marco para a Odontologia brasileira – e muito mais para a entidade. [...] Quer emos aqui afirmar que a Revista ABO

é um orgulho para todos nós”. Martinelli ressaltava, ainda, o trabalho de equipe dos profissionais envolvidos na coordenação e produção editorial da publicação, a inestimável colaboração do prof. Nicolau Tortamano (diretor científico da revista), do prof. Leonardo Simone (secretário-executivo) e do Conselho Consultivo, “responsáveis pelo a lto nível do Caderno Científico”.

 Fazendo parte da história

O ano de 1998 teve dois momentos de peso na história da Revista ABO. O primeiro deles, dramático e traumático para toda a classe odontológica brasileira e internacional, foi a perda de Pedro Martinelli. O mentor da revista morreu meses depois de ter sido reeleito para presidir a Fola, e quando cumpria viagem de trabalho em La Paz (Bolívia). Como devia ser, ele recebeu edição especial (edição 29) que contava sua trajetória e marcava o exemplo de vida que ficou. Páginas da história da ABO e da Odontologia que ficarão para sempre registradas.

Ainda sobre história, foi nesse mesmo ano que se programou a primeira série especial de reportagens, formada por três edições (32, 33 e 34), em comemoração aos 50 anos da ABO, abordando também os 500 anos da Odontologia no Brasil e a história mundial da profissão. Relatada em A Era da Dor, Trevas e Luzes e Enfim, o Reconhecimento, exemplares da série dessas re­por­tagens ainda são procurados até os dias atuais. Outra edição esgotada.

Com o prof. Teitelbaum, assum e o Conselho Científico a profa. Nilza Pereira da Costa, tendo como secretária-executiva a profa. Maria Antonieta Lopes de Souza.
Cresce a quantidade de artigos científicos recebidos para publicação na Revista ABO. O critério utilizado até então, de reservar metade das páginas para artigos

científicos e metade para as reportagens foi sendo modificado, para acolher cerca de oito trabalhos técnicos por edição. Foi nesse período, também, que a publicação foi indexada (Adsaud, BBO, SDO e Lilacs, 1998) e passou a contar com resumos das reportagens em inglês, além do tradicional Abstract dos artigos científicos. A partir de 2000, a indexação ganha o formato englobado BBO/Lilacs, 1998.

Doutor em negócios

Com menor espaço, a área destinada à divulgação de debates e aspectos relevantes da Odontologia concentrou-se em uma única reportagem especial por edição. Foi a época de enfocar matérias de serviço, que auxiliassem o profissional cirurgião-dentista em sua carreira e na administração de seu consultório, como um empreendedor e não apenas como o melhor cirurgião-dentista. Nos anos de 1999 e 2002 foi dado destaque para esses temas, em séries especiais que apontavam a melhor maneira de montar um consultório, gerenciar a clínica, os planos odontológicos (edições 55, 56, 57), papel da secretária no consultório(63), entre outros. Também a Medicina Periodontal e as células-tronco, dois assuntos up-to-date foram enfocados nas revistas, já nessa fase.

À medida que se optava por uma única

reportagem especial por edição e que crescia a chegada de trabalhos técnicos, a proporção de artigos científicos passou a ser de dois terços do espaço da revista (edições de número 70 em diante).

Essa tendência prevaleceu quando o prof. Norberto Francisco Lubiana, cirurgião-dentista do Espírito Santo, tomou posse, em 2004. Para o Conselho Consultivo foi indicado o prof. Ricardo Lombardi, da Paraíba, tendo como secretária-executiva a profa. Patrícia Meira Bento, do mesmo Estado.

Constante aprendizado

“Desde abril de 2005 escrevo reportagens para a Revista ABO Nacional e uma coisa certa é que nesse período aprendi muito. Primeiro, como jornalista venho aprendendo a técnica e a responsabilidade de escrever textos com conteúdo e clareza adequados a leitores especiali­zados.

Também conheci muito de ciência, pesquisa, Odontologia e saúde, e vi o quanto essa área é interessante e importante.

Todo esse aprendizado me estimulou a estudar mais, para ampliar meu conhecimento e aprimorar o meu trabalho. Então, fui estudar Jornalismo Científico, primeiro um curso de extensão e depois especialização, ambos na Universidade de São Paulo.

Em julho deste ano a especialização acabou, mas felizmente continuarei aprendendo com o trabalho na Revista ABO.”

Antonela Tescarollo (SP), repórter da Edita Comunicação, jornalista formada na Unesp-Bauru, com Pós-graduação em Jornalismo Científico pela USP e uma das premiadas com a reportagem Água Benta



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