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   S A Ú D E I N T E G R A L

Em ação: Departamento de Odontologia da Santa Casa de Misericórdia de Barretos (SP)

A boca sob terapia intensiva

A higiene bucal dos pacientes de UTI é essencial para evitar a proliferação de bactérias e fungos, que, além de prejudicar a saúde bucal e o bem-estar do paciente, pode propiciar outras infecções e doenças sistêmicas.

As infecções estão entre as principais causas de morbidez e mortalidade nos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), sendo que mais de 45% das infecções hospitalares concentram-se nesse grupo de pacientes, mesmo eles representando apenas 8% dos leitos do hospital.

Essas informações, apresentadas no livro Cardiologia e Odontologia – Uma Visão Integrada (Editora Santos), chamam atenção para o cuidado com a saúde integral do paciente crítico, para evitar que infecções em outros órgãos e sistemas, que não os ligados ao problema inicial, prejudiquem seu quadro clínico e prognóstico e prolonguem sua estada na UTI.

Nesses cuidados não deve faltar o atendimento odontológico, pois, como já é sabido, a saúde bucal está integrada à saúde geral e, assim, infecções no sistema estomatognático, principalmente as periodontopatias, podem agravar a condição sistêmica do paciente que já está com a saúde comprometida ou favorecer o aparecimento de novas doenças, em especial as respiratórias, infecções bastante comuns entre os pacientes críticos. No entanto, a falta do serviço odontológico para os pacientes das UTIs, associada à inadequada higiene bucal realizada pela equipe de enfermagem é muito comum nos hospitais brasileiros.

Soma-se a essa deficiência, ainda, o fato desse paciente já ter sua saúde bucal prejudicada pela própria condição em que ele se encontra. Há uma diminuição na limpeza natural da boca, que acontece pela mastigação de alimentos duros e fibrosos, pela fala e movimentação da língua e das bochechas. A queda no fluxo salivar, ou hipossialia, causada pela própria doença, por estresse ou ansiedade, ou ainda pelos medicamentos ingeridos, também contribui para o aumento da placa bacteriana. Se o paciente necessita de ventilação mecânica, o que o impede de fechar a boca, a cavidade bucal fica ainda mais ressecada e em contato maior com o ambiente, favorecendo a colonização do biofilme por microrganismos.


CD Teresa Márcia Nascimento de Moraes

Além disso, há ainda o agravante, observado em alguns estudos, de que apenas 48 horas após a entrada na UTI os pacientes já apresentam a orofaringe colonizada por bactérias Gram-negativas, freqüentes agentes causadores das pneumonias hospitalares.

Foco de infecções

A saúde bucal dos pacientes críticos que não contam com atendimento odontológico e higiene bucal eficientes sofre, inicialmente, com o acúmulo de biofilme e cálculo, principalmente entre os dentados e os que usam próteses. Conseqüentes a esses problemas vêm a cárie, a doença periodontal, as infecções periimplantares e as estomatites. A CD Teresa Márcia Nascimento de Morais, mestre em Clínica Odontológica Integrada pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO/USP) e coordenadora do Departamento de Odontologia da Santa Casa de Misericórdia de Barretos (SP), também destaca a

saburra lingual, a halitose, a úlcera traumática e a candidose como condições pre­valentes em pacientes críticos, que, além de prejudicar a saúde, diminuem o conforto e o bem-estar deles.

A negligência com a higiene bucal torna o biofilme e a oro­faringe um propício reservatório de microrganismos, inclusive dos que não pertencem à flora oral, instalando ou agravando um processo infeccioso nos tecidos periodontais e ainda ocasionando infecções a distância. “Esses patógenos também causam infecções

hospitalares, como a pneumonia nosocomial, e favorecem a proliferação de fungos, responsáveis pela candidose, infecção que provoca muita dor e dificuldade para comer e falar”, completa Teresa Márcia, que é uma das autoras de Cardiologia e Odontologia – Uma Visão Integrada, livro que também aborda a saúde bucal dos pacientes de UTI.

A influência negativa das doenças periodontais em outros sistemas, órgãos e tecidos já foi bastante evidenciada em diversos estudos, e há mecanismos de plausibilidade biológica que podem ajudar a explicá-la. Estas relações entre saúde bucal e saúde integral podem ser ainda mais prejudiciais quando se trata de pessoas com a saúde comprometida, como os pacientes das UTIs.

A periodontista Maria Christina Brunetti, doutora em Saúde Pública pela USP e organizadora do livro Periodontia Médica – Uma abordagem Integrada (Editora Senac), explica que as infecções nos tecidos periodontais produzem “microrganismos, endotoxi­nas e mediadores químicos inflamatórios que, ao caírem na corrente sangüínea, podem promover ou agravar diferentes morbidades ou condições, como diabetes, aterosclerose, gestação, entre outras”.


Periodontista Maria Christina Brunetti


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