Aparece cada vez com mais
força a Odontohebiatria, que se propõe
a estudar as especificidades do atendimento ao
paciente adolescente. Características bucais
e de comportamento comuns dessa fase devem estar
na ponta da língua dos cirurgiões-dentistas
para que o paciente entenda e assuma sua responsabilidade
no cuidado oral e mantenha sua saúde jovem
por muitos anos
Crianças e jovens devem
se consultar com o odontopediatra. Mas seria o
atendimento odontológico o mesmo para ambos?
Provavelmente não, por isso surgiu na Odontologia
a Odontohebiatria, que não é formalizada como uma especialidade,
mas reúne conhecimentos que, num primeiro momento, fazem parte da Odontopediatria,
mas que buscam fundamentar espe¬cificidades clínicas e de abordagem
voltadas para o público adolescente.
Assim, a Odontohebiatria busca atender o paciente jovem de forma completa,
considerando as características bucais nessa fase, promoção
e educação em saúde dirigida a eles e suas expectativas
em relação ao tratamento odontológico. Sobre esse enfoque
da Odontologia, a coordenadora das clínicas de Odontohebiatria do Centro
Universitário Nove de Julho (Uni¬nove) e da Universidade Metropolitana
de Santos (Unimes), Sandra Kalil, diz: “Ter uma cavidade bucal sem saúde
ou com sua estética comprometida traz profundos transtornos ao jovem,
que acabam interferindo na sua vida social. A Odontohebiatria, além
de devolver estética, promove saúde, educação e
mudança de hábitos”.
Além disso, é chamada a atenção do cirurgião-dentista
para as condições próprias da adolescência que podem
interferir no atendimento e em sua saúde bucal, como problemas de comportamento,
introspecção, distúrbios alimentares, sexo, cigarro, álcool
e demais drogas, |
entre
outros. Para realizar um bom atendimento nessas
situações
e ainda ajudar os jovens dando a orientação
correta e, muitas vezes até, fazendo a ponte
entre pacientes, pais e outros profissionais de saúde,
o CD deve fazer exames clínicos e anamnésicos
bem detalhados e conhecer em profundidade esses fatores
e quais as influências deles na boca.
Um relacionamento
aberto e de confiança com o paciente também é necessário,
para que ele se sinta à vontade e seguro para tirar suas dúvidas. “Um
vínculo forte com os pacientes nos traz sempre muita satisfação
e orgulho ao atestar que estão sadios e completos em saúde bucal”,
coloca a professora de Odontopediatria da ABO Bahia Anna Paula Bezerra Greck.
A Odontohebiatria, por fim, cuida de uma fase extremamente importante para
o indivíduo em relação ao cuidado com sua saúde, já que
ele, ao deixar a infância e caminhar para a vida adulta, assume maior responsabilidade
sobre seu corpo e a atenção dos pais é minimizada.
No entanto,
a atenção odontológica ao adolescente pode não ser
totalmente bem-sucedida, se esse trabalho de educação e motivação
não vier desde a primeira infância, pois mudar hábitos do
dia-a-dia e culturais já enraizados é bastante difícil.
E o próprio jovem, muitas vezes por rebeldia, mostra-se resistente.
Mais que isso, a atenção e educação em saúde
iniciadas ainda na gestação do bebê e seguidas ao longo dos
anos com crianças, pais e adolescentes são essenciais para que
se chegue à idade adulta e idosa com melhores condições
bucais e, consequentemente, maior bem-estar e qualidade de vida. |