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ODONTOHEBIATRIA

No percurso da saúde

A adolescência é o período em que o que foi aprendido em cuidados bucais desde a infância é fortalecido, para que o indivíduo mantenha a boa saúde na vida adulta. Mas se esse caminho for mal percorrido, os prejuízos para a saúde podem ser muitos


CD Ana Paula de Souza

O levantamento SB-Brasil, realizado em 2003 pelo Ministério da Saúde, em parceria com a ABO Nacional, revelou uma triste realidade para a saúde bucal dos jovens brasileiros: 55% das pessoas com 18 anos têm pelo menos um dente faltando, sendo que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para esse grupo é de que 80% deles tenham todos os elementos dentários.

Essa situação não só indica que os jovens, por diversos motivos socioeconômicos e culturais, deixam de cuidar de sua saúde bucal, mas também que não receberam a devida orientação e educação na infância e, ainda, que serão adultos com sérios problemas bucais. As precárias condições entre crianças e adultos também podem ser comprovadas pelo SB-Brasil.

Apesar do CPO-D entre pessoas com 12 anos ter ficado em 2,78, dentro das metas da OMS – principalmente devido à fluo¬retação da água tratada e ao uso de dentifrícios com flúor-, a doença cárie já representa um grave problema de saúde pública no Brasil, pois cerca de 3/5 dos dentes cariados não estão sendo tratados. Assim, já se entende que o bom nível de saúde não será mantido ao longo dos anos. O descuido com a boca desde a infância reflete-se na idade adulta e idosa, grupos que, pelo levantamento, apresentaram CPO-D elevados de 20,13 e 27,79, respectivamente. Foi verificado que mais de 28% dos adultos brasileiros não possuem nenhum dente funcional e três a cada quatro idosos estão nessa mesma situação.

 

O sorriso e a juventude

Além dos prejuízos que a falta de conhecimentos e de cuidados trazem para a saúde dos adolescentes, a especialista em Odonto¬pediatria, mestre em Ciências da Saúde e professora da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp) Ana Paula Pinto de Souza, de Campo Grande (MS), lembra que uma boa condição bucal, com dentes bonitos e hálito agradável, é muito importante para esse grupo. “A saúde e estética bucal para eles estão diretamente ligadas ao convívio social, à sua auto-estima, à aceitação do indivíduo entre os colegas e no mercado de trabalho e a sua qualidade de vida.”
Para que o indivíduo passe pela adolescência e chegue à vida adulta com um sorriso bonito e saudável, a educação em saúde e a construção da responsabilidade sobre o próprio corpo devem

ser trabalhadas desde a primeira infância e até antes, durante a gestação, com abordagens para pais e crianças. Com o passar da idade, o profissional deve evoluir nas informações transmitidas e recebidas do paciente e o trabalho passa a ser realizado diretamente com o adolescente.

O início do processo de educação e motivação desde cedo é importante para favorecer a atuação do CD, que, assim, deverá encontrar uma menor resistência do paciente hebiatra. “Começar esse trabalho na adolescência é muito difícil, pois estaremos diante da mudança de hábitos já instalados e adquiridos ao longo desse tempo. Vale ressaltar ainda que as várias transformações por que passa o jovem podem dificultar o atendimento”, enfatiza Ana Paula.


Graves conseqüências

A falta de atenção e cuidados com a saúde bucal na infância e na adolescência elimina as chances de prevenir problemas bucais, dos mais simples aos mais complexos, ou de solucioná-los precocemente. As conseqüências maiores dessa negligência surgem na idade adulta e vão desde a ocorrência de cárie e doença periodontal até perdas dentárias precoces, necessidade de próteses unitárias ou totais e alterações de oclusão, que podem dificultar a mastigação e provocar problemas de digestão e nutrição. “Com o avançar da idade todos esses problemas podem se agravar e prejudicar a qualidade de vida do idoso”, completa a especialista.
Esses danos à saúde bucal e geral, que começam na infância, complicam-se na adolescência e culminam na vida adulta e idosa, podem ser prevenidos ou minimizados com simples informações e assistência, voltada a criança e ao jovem. Daí a importância de valorizar os conhecimentos em Odontohebiatria a qual se propõe a acolher o indivíduo de forma completa e integrada e tem o poder de motivar e promover saúde para todas as idades.



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