Os
cardiopatas-pacientes do cirurgião-dentista
usam medicação
específica, podem ficar mais ansiosos durante a consulta, têm restrições à aplicação
da anestesia e precisam de outros cuidados especiais aos quais o profissional
deve estar atento para tomar as medidas necessárias e evitar complicações,
infecções e garantir o bom andamento
e resultado do tratamento. A exigência de profissionais com essa preocupação
faz parte também da tendência de integrar cada vez mais a saúde
bucal à saúde integral, promovendo a visão holística
do paciente e a interdisciplinaridade.
Mas, há outro importante lado dessa mesma moeda de que o CD não
pode esquecer: o cuidado e atenção com seu próprio coração
e seu saúde, para garantir, ele próprio, longevidade com qualidade
de vida.
A necessidade de cuidar da saúde cardíaca, controlando os fatores
de risco e levando uma vida mais saudável, é ainda mais reforçada
pela informação, do Ministério da Saúde, de que as
cardiopatias são hoje a primeira causa de morte no País e, apesar
de acometerem mais os homens por questões hormonais, a ocorrência
entre as mulheres tem apresentado um crescimento considerável.
Aterosclerose, doenças
valvárias e coronárias, arritmias,
infarto do miocárdio, insuficiência
cardíaca e endocardite
são algumas delas, que se manifestam em conseqüência a fatores
como idade, histórico familiar e sexo.
Além desses, há os que podem ser prevenidos e tratados, como colesterol
alto, diabete, estresse, hipertensão, obesidade, tabagismo e sedentarismo,
bastando boa vontade, disciplina e acompanhamento médico.
Mas alimentação
saudável, exercícios físicos
e abandono de vícios como o cigarro ainda
não são suficientes. É preciso
ter bom humor e alegria. E o cirurgião-dentista,
especialista nas técnicas do sorriso, deve
também se preocupar com o lado afetivo e
emocional que envolve essa ação,
que influencia diretamente o funcionamento do organismo.
Prova dessa relação é a origem
científica da expressão “coração
partido”, que, na verdade, é uma síndrome
comum em momentos de muita tensão e nervosismo.
Nessas situações
o coração pode não agüentar
e sofrer um aneurisma, que o divide em duas partes.
Apesar de não ser uma doença cardíaca,
esse evento mostra o impacto dos estímulos
nervosos no coração.
Além disso, as observações
médicas indicam que o bom humor e o riso provocam a liberação
de hormônios cerebrais que protegem o organismo das doenças cardiovasculares.
Assim, por se preocupar não só com a responsabilidade profissional
e científica do cirurgião-dentista, mas também com sua saúde,
bem-estar e qualidade de vida, a Revista ABO Nacional traz nesta edição
dois lados de um mesmo problema - o paciente-cardiopata e o CD-paciente.
Para levar informação e prestação de serviço
confiáveis a seus leitores, foram consultados três especialistas:
o periodontista Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes, mestre em Diagnóstico
Bucal pela Universidade Paulista e um dos coordenadores do livro Cardiologia
e Odontologia - Uma Visão Integrada, da Editora Santos; Carlos Serrano
Jr., médico assistente da Unidade Clínica de Coronariopatia Aguda
do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas
e livre docente pela Faculdade de Medicina da USP; e Carlos Alberto Pastore,
doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP, diretor do Serviço
de Eletrocardiologia do Incor e autor do livro Saúde – Dicas,
Curiosidades, Esclarecimentos. Também foram consultadas a Sociedade Brasileira
de Cardiologia (SBC) e a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo
(Socesp). |